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quarta-feira, 19 de março de 2014

Cientistas detectam pela 1ª vez as ondas gravitacionais geradas após o Big Bang

Por NTV
LONDRES - Uma equipe de cientistas dos Estados Unidos detectou pela primeira vez, por meio de um telescópio no Polo Sul, as "ondas gravitacionais primordiais" que foram geradas após a criação do universo com o Big Bang. Essa descoberta, digna de Prêmio Nobel segundo os especialistas, foi anunciada pelo Centro Harvard-Smithsonian para a Astrofísica de Massachusetts e divulgada nesta segunda-feira, 17, pela revista britânica Nature.
De acordo com a informação divulgada pela publicação, a equipe dirigida por John Kovac conseguiu perceber pela primeira vez, por meio do telescópio BICEP2, instalado no Polo Sul em um pequeno pedaço de céu, essas ondas gravitacionais. Elas são consideradas o Santo Graal da cosmologia por provarem diversas teorias. A descoberta destas pequenas ondulações de energia, que seriam imperceptíveis para o olho humano, demonstraria a teoria do "período inflacionário" apresentada em 1980 pelo físico teórico Alan Guth, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts.
O chamado "período inflacionário" seria um breve lapso de tempo durante o qual o universo multiplicou milhares de vezes seu tamanho, passando de menor que um átomo até as dimensões de uma bola de futebol. Essa teoria dependia de achar as ondas gravitacionais geradas ao iniciar esse período de expansão depois do Big Bang, há 13,8 milhões de anos. Segundo a teoria, o "período inflacionário" ou de expansão se produziu no primeiro instante de vida do universo.
Teoria da relatividade. As ondas gravitacionais, previstas por Albert Einstein com a teoria da relatividade para explicar a gravidade, mas de cuja existência não se tinham provas, foram descobertas pelo Telescópio BICEP (Background Imaging of Cosmic Extragalactic Polarization), instalado no Polo Sul. Esse telescópio estuda a radiação cósmica de fundo (CMB), os ecos que ainda nos chegam do Big Bang.
Segundo a Nature, o BICEP2 capturou uma instantânea dessas minúsculas ondulações no tecido do espaço-tempo produzidas pelo Big Bang na CMB. O fato de que o "período inflacionário", um fenômeno quântico, produz ondas gravitacionais "demonstra que a gravidade tem uma natureza quântica como outras forças fundamentais conhecidas da natureza", destaca a publicação. Segundo Kovac, as consequências mais importantes da descoberta das ondas gravitacionais, que se apresentará em breve ao escrutínio da comunidade científica, são para a teoria da inflação do Universo e para "a condição quântica da gravidade".


sexta-feira, 14 de março de 2014

LEITURA DA PALAVRA! LEITURA DO MUNDO!

Fonte: nhohigieneocupacional.com.br
Prof. Dr. Valter Machado da Fonseca*
Este título refere-se a uma das mais importantes obras do educador pernambucano Paulo Freire, de cujo trabalho tratarei neste artigo. Um dos traços marcantes da obra de Freire reside na crença que ele tinha na capacidade de autotransformação do ser humano. Ele acreditava na essência do ser humano, enquanto sujeito de sua própria história, enquanto um sujeito em formação, em transformação. Assim, os traços relativos à capacidade do ser humano em si autotransformar perpassa toda sua obra. O pilar fundamental que sustenta seu trabalho é a capacidade que poderá ter o homem de reconhecer-se, de posicionar-se diante do mundo, visando à sua transformação, tornando-se sujeito de sua própria história. A isto ele chamava de capacidade de realizar a leitura do mundo.
Mas, para realizar-se enquanto sujeito ativo, realizador de sonhos, diante da sociedade, da vida e do mundo, o homem precisa realizar a leitura da palavra, a qual precisa de uma verdadeira significação diante do mundo, da vida e da realidade social. Entretanto, para que o homem seja capaz de constituir-se enquanto sujeito histórico e transformador ele, precisa, acima de qualquer coisa, construir a sua consciência crítica. Mas, o que vem a ser a consciência crítica? A consciência crítica para Freire consiste na capacidade humana de formar sua consciência na vivência prática no mundo e com as coisas do mundo. Esta concepção freireana coincide, pontualmente, com a formulação de Marx que afirma que o homem constrói sua consciência dentro de um contexto histórico e social de intervenção prática na natureza, em uma ação mediada pelo trabalho. Mas, um trabalho não alienado, que liberta ao invés de aprisionar, que promove a felicidade ao invés da frustração. Neste ponto, a obra de Freire se amarra à de Marx.
Então, a humanização, a significação do homem diante do mudo e da vida e a consciência crítica são traços e fundamentos essenciais dos trabalhos de Freire. Estes traços perpassam toda sua obra. Para a construção da consciência crítica, o homem precisa romper com o dogmatismo, com as verdades absolutas, advindas da educação tradicional, ou bancária conforme suas próprias palavras. Então, a libertação de si mesmo diante da opressão, dos desmandos e da tirania são elementos fundamentais que caracterizam toda a produção literária do educador pernambucano. Estes traços riquíssimos foram preponderantes e suficientes para que o regime dos generais no Brasil o mandasse para o exílio. As suas perambulações pelo mundo afora fizeram com que ele abrisse trilhas internacionais, que foram usadas para desbravar o analfabetismo, a subserviência, abrindo lacunas para a sua luta inabalável contra a opressão, os desmandos e a dominação.
Foi a partir dessas ideias e princípios que Freire orientou sua ação no mundo, por intermédio de seu método revolucionário de alfabetização. Para Paulo Freire de nada adianta o sujeito possuir intermináveis títulos e honrarias acadêmicas se ele é incapaz de reconhecer-se diante do mundo e da vida. Se é incapaz de tornar-se objeto para reconhecer-se enquanto sujeito transformador da realidade social que marca a vida da maioria dos homens neste planeta. Se estes sujeitos são incapazes disso, não estarão, de fato, alfabetizados, mesmo possuidores de todas as honrarias e títulos acadêmicos.
Assim, nesta direção, Freire construiu sua trajetória de vida neste mundo. Nunca perdendo de vista a capacidade de libertação diante da opressão, diante da vida, ele foi desbravando as fronteiras do analfabetismo, foi rompendo as amarras que mantém os sujeitos atados às coisas secundárias, que os fazem instrumentos passivos diante de um mundo marcado pelas injustiças, pela miséria e pela opressão. Assim era Paulo Freire! Assim foi este admirável educador pernambucano, cuja maior preocupação sempre foi a luta pela libertação do homem diante de sua própria opressão. Sua vida foi marcada, essencialmente, pela inabalável batalha em favor da liberdade em sua forma mais plena. Por uma liberdade que seja capaz de alçar o homem ao patamar mais alto de sua existência. A liberdade que pode levar o homem à sua condição mais sublime, ou seja, de tornar-se essencialmente humano!


* Escritor. Geógrafo pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU/MG). Mestre e doutor em Educação pela Faculdade de Educação da Universidade Federal de Uberlândia (FACED/UFU). Pesquisador das temáticas “Alterações climáticas” e “Impactos das monoculturas sobre os biomas brasileiros”. pesquisa.fonseca@gmail.com

quinta-feira, 6 de março de 2014

NASA capta erupção solar mais forte da escala

Fonte: Foto/Reprodução NASA (2014)


Por NTV
Esta semana, o Sol esteve irritado: na noite de segunda-feira, ocorreu uma erupção solar de classe X. A sonda não-tripulada SDO (Solar Dynamics Observatory) monitora constantemente o Sol, e capturou a erupção em seis diferentes comprimentos de onda. Cada erupção solar é classificada em quatro níveis: B, C, M e X. Uma erupção X equivale a 10 erupções M, e uma explosão M corresponde a 100 erupções C. A classe X é a mais forte, causando tempestades de radiação e até suspendendo diversas atividades eletromagnéticas na Terra, como transmissões de rádio. É por isso a NASA fica de olho nessas erupções.
Eis a explicação da NASA sobre a série de fotos acima:
"Estas imagens do SDO, capturadas em 24 de fevereiro às 21h25 (horário de Brasília), mostram os primeiros momentos dessa erupção de classe X em diferentes comprimentos de onda de luz… As erupções solares são poderosas rajadas de radiação, aparecendo como flashes de luz gigantes nas imagens do SDO. A radiação nociva de uma erupção não pode passar pela atmosfera da Terra, nem afetar fisicamente os seres humanos; no entanto, quando é intensa o bastante, ela pode perturbar a atmosfera na camada onde viajam os sinais de GPS e comunicação".

terça-feira, 4 de março de 2014

A DINÂMICA DOS ECOSSISTEMAS: PRINCÍPIOS GERAIS!

Figura 1: Esquema básico do funcionamento de um ecossistema natural.
Elaboração e digitalização: V. M. da Fonseca (2012)
Prof. Dr. Valter Machado da Fonseca*
A “Dinâmica dos Ecossistemas” é uma pesquisa de fôlego que tenho trabalhado já ao longo de vários anos. Trata-se de um insite importante que surgiu por intermédio de importantes reflexões sobre a observação do comportamento dos principais ecossistemas terrestres e aquáticos presentes no planeta Terra. Para compreender “A Dinâmica dos Ecossistemas” existe uma demanda imprescindível acerca das respostas de indagações importantes, tais como: Os ecossistemas estão soltos no ambiente terrestre ou estão interconectados? Quais são os elos que os unificam? Se existem ligações entre eles, quais os elementos responsáveis pelo equilíbrio delas? Quais os elementos chaves (que se repetem) nestas ligações? É possível equacionar estas variáveis responsáveis por estas ligações sistêmicas? É possível, a partir dessas possíveis variáveis, criar um algoritmo que nos forneça um modelo matemático que seja capaz de verificar padrões básicos nestas ligações sistêmicas?
Estas indagações são fundamentais para a evolução de nossa pesquisa. O êxito em respondê-las irá significar um avanço extraordinário na pesquisa científica no Brasil. Para iniciarmos nossa investigação partimos do pressuposto que o planeta Terra funcione como um grande anel compostos de ecossistemas interconectados, interdependentes e que interagem entre si. Para levarmos efetivamente a cabo nosso estudo, torna-se necessário entender estes elos separadamente, suas ligações para formar o todo e, ao mesmo tempo, entender o todo por eles formado. Por isso, trata-se de uma pesquisa complexa e que envolve diversas variáveis. Neste sentido, a energia assume um papel primordial na manutenção do frágil equilíbrio desses ecossistemas. Cabe a nós compreender e analisar o papel da energia para a sustentação do anel sistêmico que compõe o nosso planeta. Diante disso, os princípios da Termodinâmica nos serão de grande valia, ao lado dos fundamentos da Teoria da relatividade, pois, estas ligações sistêmicas se dão, sobretudo, em níveis moleculares, de micropartículas ou das partículas elementares.        
Então, torna-se necessário aprofundar na essência destes princípios de forma a nortear esta teoria que promete trazer novos elementos e postulados extremamente relevantes para a ciência. Assim, ancorados nestas perspectivas e indagações, acreditamos que em breve consolidaremos importantes passos para compreender algumas das indagações elencadas no início deste texto.  


* Escritor. Geógrafo, mestre e doutor pela Universidade Federal de Uberlândia. Professor e pesquisador das temáticas “Alterações Climáticas” e “Impactos socioambientais sobre os ecossistemas terrestres e aquáticos”. E-mail: pesquisa.fonseca@gmail.com