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segunda-feira, 21 de julho de 2014

Reino Unido apela ao público para tentar salvar abelhas da extinção

Foto: AFP Photo/Philippe Huguen (2014)



Por NTV
Cinco passos podem ajudar a conter o declínio das populações de abelhas e outros polinizadores vitais para manter a cadeia alimentar da qual as pessoas dependem, afirmaram as autoridades britânicas nesta semana ao fazer um apelo público. Governos de todo o mundo têm se alarmado com o forte declínio no número de abelhas, que desempenham um papel fundamental nos ecossistemas, especialmente nos cultivos que compõem grande parte da alimentação humana.
Segundo a agência France Presse, os cinco passos são: plantar mais flores, arbustos e árvores ricas em néctar e pólen; deixar trechos de terra livres para o crescimento de plantas silvestres; aparar a grama com menos frequência; evitar perturbar ou destruir insetos aninhados ou em hibernação; e pensar cuidadosamente antes de usar pesticidas.
"Polinizadores como as abelhas são vitais para o meio ambiente e para a economia, e eu quero assegurar que faremos tudo o possível para salvaguardá-los", disse o vice-ministro de Meio Ambiente, Rupert de Mauley. "É por isso que estamos encorajando a todos para que adotem algumas poucas ações simples e façam seu papel em ajudar a proteger nossas abelhas e borboletas", acrescentou.
Estratégia nacional para polinizadores
Os cinco passos impulsionados pelo Ministério do Meio Ambiente são divulgados antes da publicação pelo governo, prevista para este ano, de uma estratégia nacional para proteger polinizadores. A organização Amigos da Terra saudou a iniciativa, mas instou o governo a trabalhar para limitar o uso de pesticidas, que se acredita ser um fator chave neste declínio.
"O governo também precisa desempenhar seu papel, fortalecendo sua vindoura Estratégia Nacional de Polinizadores para responder a todas as ameaças que as abelhas enfrentam, especialmente apoiando os fazendeiros a reduzir o uso de pesticidas e contendo a perda continuada de hábitat vital como as pradarias", disse o diretor executivo Andy Atkins. O governo britânico tem sido criticado por se opor às restrições da União Europeia ao uso de vários neonicotinoides em cultivos favorecidos pelas abelhas. As substâncias têm sido vinculadas ao declínio nas populações de abelhas e aves.
Importância das abelhas
A mortalidade de abelhas ao redor do planeta ameaça ambos os processos. Entre as possíveis causas já listadas estão o uso excessivo de pesticidas, como os neonicotinoides, excesso de parasitas que afetam esses insetos, poluição do ar e da água, além do estresse causado pelo gerenciamento inadequado das colmeias.
 Investigar essas e outras hipóteses é importante, porque pode evitar um possível caos ambiental. O declínio põe em risco a capacidade global de produção de alimentos.
Para se ter ideia, segundo a Organização das Nações Unidas, os serviços de polinização prestados por esses insetos no mundo – seja no ecossistema ou nos sistemas agrícolas -- são avaliados em US$ 54 bilhões por ano. Além disso, 73% das espécies vegetais cultivadas no mundo são polinizadas por alguma espécie de abelha.

quinta-feira, 17 de julho de 2014

O MISTÉRIO DO SUMIÇO DAS ABELHAS

Fonte: itirucuonline.com

Prof. Dr. Valter Machado da Fonseca*
Temos visto na mídia algumas notícias da diminuição do número de abelhas nos diversos ecossistemas terrestres. Este fato entrou em evidência em primeiro lugar na Europa, posteriormente nos EUA, depois na Ásia, África e agora na América do Sul. O mais interessante é que a mídia noticia o acontecimento com desinteresse e certo desdém, como se ele não fosse importante.
Mas, todos que têm conhecimento do assunto e um senso de responsabilidade socioambiental não devem ficar alheios a este grave fato. As abelhas fazem parte de um seleto grupo de polinizadores, aliás, é o grupo mais importante deles. Além delas, também fazem parte outros tipos de insetos, roedores, beija-flores e diversos tipos de aves.  Os polinizadores não somente são responsáveis pela conservação das diversas espécies vegetais, bem como de sua reprodução. Aliás, segundo diversos estudos científicos, elas são responsáveis pela manutenção de 70% da produção de alimentos em todo o planeta. O seu sumiço representa fome e escassez de alimentos!
E por que as abelhas estão sumindo?
Existem algumas teorias básicas acerca das causas do desaparecimento desses insetos tão importantes para a continuidade da vida no planeta: a primeira atribui o fato à ocorrência contínua das alterações climáticas. O aquecimento global teria influência sobre diversas espécies de animais e plantas e, dentre elas, as abelhas. A outra teoria se refere ao uso exorbitante de pesticidas e agrotóxicos para a produção de alimentos em escala comercial planetária, conjugado com o aumento do cultivo de monoculturas, o que homogeneíza os ecossistemas aumentando o número de pragas devido à diminuição da diversidade biológica.
O que se pode afirmar, afinal?
O que podemos afirmar é que a diminuição da quantidade de indivíduos e de espécies de abelhas é fruto de um forte desequilíbrio ambiental que decorre do uso desordenado das atividades antropogênicas sobre o conjunto de ecossistemas. O homem perdeu por completo qualquer senso de harmonia com seu habitat natural. A natureza, sábia por excelência, dá sua resposta de forma sutil: um pequeno inseto, que quase passa despercebido, responsável pela grande maioria da produção de alimentos no planeta, está prestes a desaparecer da Terra. Aí, o homem pode morrer de fome por causa de sua cobiça e ganância!         


* Escritor. Geógrafo, Mestre e Doutor pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU). Pós-Doutorando também pela Universidade Federal de Uberlândia.  Pesquisador e professor da Universidade de Uberaba (UNIUBE). pesquisa.fonseca@gmail.com

Cientistas acham fóssil de ave que pode ter sido a maior que já existiu

Fonte: Estadão (2014)



Por NTV
Os cientistas identificaram os fósseis de uma ave que, com mais de 7 metros de ponta a ponta de suas asas, pode ter sido o maior pássaro que existiu na Terra. As informações foram divulgadas nesta segunda-feira, 7, pela revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences. Os restos foram encontrados em 1983 na Carolina do Sul, nos Estados Unidos, pelo voluntário James Malcom, do Museu de Charleston, durante as escavações dirigidas por Albert Sanders para um novo terminal de aeroporto.
A criatura, batizada pelos cientistas como Pelagornis sandersi, deve ter sido um planador extremamente eficiente com asas grandes e delgadas que a ajudavam a se manter no ar apesar de seu tamanho, segundo os investigadores. A espécie era tão grande - duas vezes maior que o albatroz real, a ave atual de maior tamanho - que os investigadores tiveram que retirar os restos com uma pá mecânica. 
"Só o osso superior da asa era maior que meu braço", comentou Dan Ksepka, do Centro Nacional de Síntese Evolucionária em Durham, Carolina do Norte. "O Pelagornis sandersi pode ter viajado distâncias enormes quando cruzava as águas oceânicas em busca de suas presas", completou.
Os cientistas calcularam que a ave viveu depois da extinção dos dinossauros e antes de que os primeiros seres humanos povoassem a região. Eles também tentaram determinar como poderia levantar voo e se manter no ar um animal cujas dimensões e pesos excediam os valores máximos considerados possíveis para as aves voadoras. 
Por meio de modelos de computador, os pesquisadores concluíram que o Pelagornis sandersi provavelmente saía do chão correndo morro abaixo em direção ao vento ou aproveitava as correntes de ar para levantar-se, como uma asa-delta.

Revistas buscam soluções para preservar a confiabilidade da ciência

Por NTV
Atentas ao aumento do número de retratações e ao impacto negativo que isso pode ter sobre sua reputação, as grandes revistas científicas estão tomando medidas para reforçar seus mecanismos de revisão e evitar a publicação de trabalhos contaminados por erros ou fraudes.
"Os leitores precisam ter confiança nos resultados que são publicados em nossa revista", escreveu no dia 3 a editora-chefe da Science, Marcia McNutt, em um editorial no qual ela anuncia a criação de uma Junta de Editores de Revisão Estatística (SBoRE, na sigla em inglês), incumbida de fortalecer o processo de revisão e checagem de dados estatísticos nos trabalhos que são considerados para publicação na revista a partir deste mês.
"Queremos continuar a adotar medidas razoáveis para verificar a acurácia desses resultados", afirma Marcia. "Acreditamos que a criação do SBoRE ajudará a evitar erros honestos e a elevar os padrões de análise de dados, especialmente quando métodos sofisticados são necessários."
O fato de Marcia precisar defender a confiabilidade da Science de forma tão contundente num editorial mostra que confiabilidade da literatura científica está sendo realmente colocada em xeque pelo aumento significativo do número de correções e retratações registrado nos últimos anos - realçado por uma série de casos escandalosos, envolvendo revistas de alto impacto, como o que derrubou as pesquisas com células STAP na revista Nature, no início deste mês.
Leia também: Aumento na ocorrência de fraudes preocupa cientistas
A Nature alegou em seu editorial que não tinha como detectar os erros nos trabalhos antes de eles serem publicados. De fato, não eram todos erros escancarados, detectáveis "a olho nu", por assim dizer. Mas, se olhares mais atentos conseguiram detectá-los via internet rapidamente após a publicação, porque os revisores da Nature não foram capazes de detectá-los antes disso, quando estavam com as informações em mãos?
Se por um lado a revista tentou se eximir de culpa, por outro ela reconheceu que seus mecanismos de checagem precisam ser fortalecidos, e se comprometeu a fazer isso o mais rápido possível; "para garantir que a confiança dos cidadãos na ciência não seja traída" -- pois isso, no fundo, é a coisa mais importante que está em jogo.
A atitude das revistas é louvável, e quanto mais rigoroso for o sistema de revisão, melhor. Mas talvez não seja suficiente. Por mais rigorosos que sejam os revisores, eles jamais serão capazes de detectar todos os erros ou todas as manipulações. Os principais problemas com os trabalhos das células STAP, por exemplo, só puderam ser confirmados por meio de uma investigação interna do centro de pesquisas Riken, que teve acesso aos dados brutos da pesquisa, questionou profundamente todos os pesquisadores envolvidos e exigiu análises complementares dos resultados, como as que mostraram haver uma discrepância genética entre as células pluripotentes geradas e linhagem de células adultas da qual elas supostamente foram derivadas.
E a grande fraude das células-tronco embrionárias coreanas, publicada na Science pelo pesquisador Woo Suk Hwang em 2004, só foi revelada graças à coragem de um ex-funcionário dele, que resolveu denunciar a farsa à imprensa (assumindo um custo enorme para sua carreira e vida pessoal: http://migre.me/kroC7).
Como, então, evitar a publicação de dados deturpados como esses?
REVISÃO ABERTA
Esse e outros casos recentes deixam claro que o sistema tradicional de revisão por pares pré-publicação não está mais dando conta do serviço. Por isso, fala-se muito na adoção de sistemas de revisão pós-publicação, que poderiam complementar ou até substituir os sistemas atuais. De certa forma, isso já está acontecendo, dentro de fóruns digitais como o PubPeer e PubMed Commons, que permitem aos usuários postar comentários (de forma anônima, se quiserem) sobre trabalhos científicos, num formato parecido com o de uma rede social. Com isso, o nível de escrutínio da literatura científica vem sendo tremendamente aprofundado e ampliado, especialmente com relação aos trabalhos de alto impacto, que atraem grande atenção -- tanto de admiradores quanto de rivais.
Foi o que aconteceu no caso das células STAP. Pois foi justamente no PubPeer que surgiram as primeiras denúncias de erros e possíveis manipulações, poucos dias após a publicação dos trabalhos na Nature, que acabaram resultando nas investigações e, em última instância, na retratação da pesquisa.
O problema é que a revisão pós-publicação não evita a publicação de erros ou fraudes; apenas corrige algo que já foi publicado. E isso não pega bem para a imagem da ciência. O ideal seria que os problemas fossem identificados pré-publicação, para não precisarem ser corrigidos ou retratados depois. Como salientou Marcia, precisamos ter a maior confiança possível de que, se algo foi publicado, é porque está correto (não que seja uma verdade absoluta ou uma palavra final sobre qualquer assunto, porque isso não existe na ciência ... mas que é um resultado verdadeiro e produzido de acordo com as melhores práticas científicas). Hoje, infelizmente, as revistas não estão mais conseguindo passar essa confiança aos leitores.
Uma plataforma de divulgação e avaliação de dados pré-publicação que já funciona há algum tempo (desde 1991) é o arXive.org, mantido pela Biblioteca da Universidade Cornell, no qual pesquisadores podem "postar" seus trabalhos antes de submetê-los para publicação, caso se interessem em receber um "feedback" de seus pares antes disso, ou simplesmente queiram disponibilizar seus dados de forma imediata para a comunidade científica. O físico Stephen Hawking fez isso em janeiro, ao colocar no arXive um artigo no qual dizia que os buracos negros não existem. O artigo teve enorme repercussão na mídia e foi muito debatido na comunidade científica. Até agora, porém, não foi publicado em nenhuma revista com revisão por pares.
MELHOR PREVENIR DO QUE REMEDIAR
O problema é que o arXive não trabalha com todas as áreas da ciência, e trata-se de uma plataforma de adesão voluntária -- ou seja, não é um passo obrigatório para publicação de um trabalho; só participa quem quer.
O ideal seria ter algo nesses moldes, só que instituído como uma etapa obrigatória de revisão pré-publicação. Um híbrido de arXive e PubPeer, que funcionaria como uma espécie de "estágio probatório", ou "revisão aberta" pelo qual todo trabalho científico precisaria passar antes de ser publicado em definitivo. Algo semelhante a um processo de consulta pública, ao qual são submetidos projetos de lei antes de serem submetidos ao Congresso para ratificação.
Todas as revistas científicas -- em especial as de alto impacto, como Nature e Science -- deveriam criar espaços semelhantes ao arXive dentro de seus sites. O sistema funcionaria assim: 1) Os trabalhos seriam submetidos para publicação e passariam por um processo interno de revisão por pares, como de costume; 2) Antes de serem publicados, porém, os trabalhos aprovados na revisão por pares seriam colocados numa plataforma digital aberta a comentários da comunidade científica (semelhante ao PubPeer), para que outros pesquisadores pudessem fazer observações, críticas, elogios, etc; 3) Só depois de um período nesse "estágio probatório" pré-publicação, os trabalhos poderiam ser publicados em definitivo -- já com as eventuais correções, complementações ou modificações necessárias.
Na prática, seria como dizer: "Avaliamos esse trabalho e pretendemos publicá-lo. Se alguém notar alguma coisa errada nele, por favor nos avise."
Seria uma forma de acrescentar uma camada extra, de escrutínio público, ao processo interno de revisão por pares. Tomando a pesquisa das células STAP como exemplo, se um esquema como esse tivesse sido aplicado, os problemas que a revista não conseguiu detectar no seu processo interno de revisão por pares teriam sido detectados no "estágio probatório" de revisão aberta, e os trabalhos não teriam sido publicados em definitivo -- evitando, assim, o escândalo da retratação; e protegendo, assim, a confiabilidade da ciência perante os olhos da sociedade.