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terça-feira, 25 de novembro de 2014

Pela primeira, vez robô submarino mapeia gelo da costa antártica

Foto: Klaus Meiners, AAD/Peter Kimball, WHOI (2014)



Por NTV
Pela primeira vez, cientistas conseguiram fazer um mapeamento detalhado do gelo da costa da Antártica. Os dados coletados por um robô-submarino mostraram que a espessura do gelo marinho da região é muito maior do que se estimava anteriormente: em média de 1,4 a 5,5 metros, podendo chegar a 16 metros nos pontos mais espessos.
Até então, só havia estimativas com base em observações a partir de navios e perfurações no gelo. Elas calculavam erroneamente que grande parte da camada de gelo tinha menos de um metro de espessura. Segundo os cientistas, a medição mais precisa pode contribuir para o entendimento da dinâmica das mudanças climáticas na região. Os resultados foram publicados na revista "Nature Geoscience" nesta segunda-feira (24).
O veículo subaquático autônomo utilizado na pesquisa, chamado "SeaBED", conseguiu fazer o mapeamento preciso dos campos de gelo na costa da Antártica por meio de um sonar. Enquanto o veículo se movimentava em uma profundidade de 20 a 30 metros, o sonar, apontado para cima, fazia um mapeamento do mar logo abaixo da camada de gelo marinho. Dessa forma, foi possível obter um mapa detalhado e em três dimensões do lado de baixo do gelo.
"Construir um veículo subaquático autônomo para mapear o lado de baixo do gelo marítimo é desafiador dos pontos de vista de software, navegação e comunicação acústica", diz Hanumant Singh, engenheiro do Instituto Oceanográfico de Woods Hole, nos Estados Unidos, que desenvolveu o equipamento. O SeaBED tem cerca de 2 metros de comprimento e pesa 200 kg.
Os dados foram coletados ao longo de duas expedições feitas nas primaveras de 2010 e 2012. Foram mapeadas três regiões que, juntas, se estendem por 500 mil metros quadrados.
"A topografia completa em 3D do lado de baixo do gelo fornece uma riqueza de novas informações sobre a estrutura do gelo marítimo e os processos que o criaram. Essa é a chave para avançar em nossos modelos, particularmente mostrar as diferenças entre o gelo marítimo do Ártico e da Antártica", diz o pesquisador Guy Williams, um dos autores do estudo e cientista do Instituto de Ciência Antártica e Marinha, na Austrália.
"Este trabalho é um passo importante na direção de fazer os tipos de medidas de rotina que precisamos para realmente monitorar e entender o que está acontecendo com o gelo e as mudanças em grande escala que estão ocorrendo", diz Ted Maksym, outro autor do estudo ligado ao Instituto Oceanográfico de Woods Hole.

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Incêndios ocultos na Amazônia desafiam cientistas

Foto: Doug Morton/BBC (2014)



Por NTV
De seu escritório no Centro Espacial Goddard, da NASA, Douglas Morton analisa um fenômeno oculto e danoso na Amazônia. São incêndios rente ao solo, de baixa intensidade e expansão lenta - meio metro por minuto - mas capazes de manter suas chamas acesas por semanas e destruir áreas consideráveis de selva. O fogo de sub-bosque (a área mais próxima ao solo) destruiu mais de 85 mil quilômetros quadrados no sul da Amazônia entre 1999 e 2010, segundo a NASA, o equivalente a quase duas vezes a área do Espírito Santo.
Estes incêndios são um desafio para Morton e seus colegas da agência espacial dos EUA, porque os satélites, usados para detectar chamas muito maiores e mais destrutivas, não identificam facilmente fogo tão próximo do chão. "A razão por que (os incêndios) são considerados ocultos é que o fogo queima o sub-bosque e a folhagem das árvores bloqueia o sinal do satélite", disse Morton. Da sede da NASA no Estado de Maryland, ele combina suas análises remotas com dados recolhidos em visitas a áreas afetadas em países como o Brasil, para onde viaja constantemente.
O uso de satélites
Embora os satélites tenham dificuldade para detectar incêndios que ocorrem sob as copas das árvores, Morton depende deles, pois existem áreas da Amazônia que só são acessíveis com ajuda remota. "(Estes dados) são realmente importantes para estudar a dinâmica do ecossistema da floresta amazônica", disse.
Para evitar as dificuldades impostas pelas restrições dos satélites, Morton e sua equipe estão recorrendo ao que a NASA descreveu como "técnica inovadora": ao invés de se concentrar em encontrar incêndios ocultos ativos, o que eles fazem é analisar os danos que eles deixam para trás e a recuperação posterior da área.
Assim, por exemplo, foi possível determinar que em épocas de grande atividade de incêndios ocultos, como os de 2005, 2007 e 2010, a área de floresta afetada foi consideravelmente maior do que a área de desmatamento para a agricultura, de acordo com um estudo publicado no ano passado. A análise também permitiu concluir que os riscos para estes incêndios são particularmente ligados às alterações climáticas: condições específicas de seca, por exemplo, são ideais para estes incêndios se espalharem por grandes áreas.
Por outro lado, os incêndios que estão ligados ao desmatamento, um dos principais problemas na Amazônia, são movidos mais por pressões econômicas, tais como o uso da terra para a agricultura. "Obviamente, é importante saber onde há incêndios hoje, mas é a informação temporal que nos ajuda a fazer a investigação, a entender como as variações climáticas e as forças econômicas estão mudando os padrões de incêndios", disse.
No ano passado, o governo informou que o desmatamento da Amazônia brasileira aumentou 28% em 12 meses. Morton tem viajado frequentemente ao Brasil para entender o fenômeno. Sua última viagem à região amazônica foi em 2012, ao Estado do Pará, onde realizou medições na floresta.
Ele diz que o objetivo de suas viagens é vincular o conhecimento local com as observações remotas dos satélites. Assim, espera estudar as variações no uso da terra, as mudanças climáticas e como as pressões econômicas - por exemplo, para a agricultura - estão afetando a atividade dos incêndios.