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quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Incêndios ocultos na Amazônia desafiam cientistas

Foto: Doug Morton/BBC (2014)



Por NTV
De seu escritório no Centro Espacial Goddard, da NASA, Douglas Morton analisa um fenômeno oculto e danoso na Amazônia. São incêndios rente ao solo, de baixa intensidade e expansão lenta - meio metro por minuto - mas capazes de manter suas chamas acesas por semanas e destruir áreas consideráveis de selva. O fogo de sub-bosque (a área mais próxima ao solo) destruiu mais de 85 mil quilômetros quadrados no sul da Amazônia entre 1999 e 2010, segundo a NASA, o equivalente a quase duas vezes a área do Espírito Santo.
Estes incêndios são um desafio para Morton e seus colegas da agência espacial dos EUA, porque os satélites, usados para detectar chamas muito maiores e mais destrutivas, não identificam facilmente fogo tão próximo do chão. "A razão por que (os incêndios) são considerados ocultos é que o fogo queima o sub-bosque e a folhagem das árvores bloqueia o sinal do satélite", disse Morton. Da sede da NASA no Estado de Maryland, ele combina suas análises remotas com dados recolhidos em visitas a áreas afetadas em países como o Brasil, para onde viaja constantemente.
O uso de satélites
Embora os satélites tenham dificuldade para detectar incêndios que ocorrem sob as copas das árvores, Morton depende deles, pois existem áreas da Amazônia que só são acessíveis com ajuda remota. "(Estes dados) são realmente importantes para estudar a dinâmica do ecossistema da floresta amazônica", disse.
Para evitar as dificuldades impostas pelas restrições dos satélites, Morton e sua equipe estão recorrendo ao que a NASA descreveu como "técnica inovadora": ao invés de se concentrar em encontrar incêndios ocultos ativos, o que eles fazem é analisar os danos que eles deixam para trás e a recuperação posterior da área.
Assim, por exemplo, foi possível determinar que em épocas de grande atividade de incêndios ocultos, como os de 2005, 2007 e 2010, a área de floresta afetada foi consideravelmente maior do que a área de desmatamento para a agricultura, de acordo com um estudo publicado no ano passado. A análise também permitiu concluir que os riscos para estes incêndios são particularmente ligados às alterações climáticas: condições específicas de seca, por exemplo, são ideais para estes incêndios se espalharem por grandes áreas.
Por outro lado, os incêndios que estão ligados ao desmatamento, um dos principais problemas na Amazônia, são movidos mais por pressões econômicas, tais como o uso da terra para a agricultura. "Obviamente, é importante saber onde há incêndios hoje, mas é a informação temporal que nos ajuda a fazer a investigação, a entender como as variações climáticas e as forças econômicas estão mudando os padrões de incêndios", disse.
No ano passado, o governo informou que o desmatamento da Amazônia brasileira aumentou 28% em 12 meses. Morton tem viajado frequentemente ao Brasil para entender o fenômeno. Sua última viagem à região amazônica foi em 2012, ao Estado do Pará, onde realizou medições na floresta.
Ele diz que o objetivo de suas viagens é vincular o conhecimento local com as observações remotas dos satélites. Assim, espera estudar as variações no uso da terra, as mudanças climáticas e como as pressões econômicas - por exemplo, para a agricultura - estão afetando a atividade dos incêndios.

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Robô liberado pela sonda Rosetta pousa em cometa, confirma agência

Foto mandada pelo módulo Philae.   Foto: ESA/Rosetta/Philae/CIVA (2014)



Por NTV
Pela primeira vez, o homem conseguiu pousar um robô em um cometa, em uma missão que durou mais de dez anos e que tem o objetivo de estudar esse corpo celeste. Dados enviados pelo módulo Philae e rebatidos à Terra pela sonda Rosetta, responsável por levar o equipamento ao cometa, confirmaram no início da tarde desta quarta-feira (12) o feito inédito na ciência.
A Agência Espacial Europeia, ESA, recebeu a confirmação às 14h03 de que o módulo espacial Philae tocou o solo do cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko, uma massa imensa com superfície composta de gelo e poeira. "Estamos sentados na superfície. Estamos no cometa", disse Paolo Ferri, um dos líderes da missão Rosetta, depois de confirmar o funcionamento da transmissão do sinal. A chegada ocorreu 28 minutos e 20 segundos antes, já que existe um intervalo entre a emissão do sinal da Rosetta e a recepção dele na Terra - tempo chamado pelos cientistas de "minutos de terror".
De acordo com a ESA, após análise da telemetria, verificou-se que o toque na superfície do cometa não aconteceu conforme o planejado, já que os arpões, que fixariam o módulo no cometa, não dispararam em um primeiro momento. Os pesquisadores analisam o que podem fazer para reverter o problema. "Temos indicações de que os ganchos não foram ativados, o que significaria que estamos pousados em material solto e que não estamos presos ao solo", declarou Stephan Ulamec, responsável pela missão de aterrissagem do Philae. "Precisamos analisar a situação", acrescentou.
Qual o objetivo?
Compostos químicos, gases e muita poeira presentes no cometa podem conter respostas sobre a formação dos planetas do Sistema Solar. Além disso, apontariam aos cientistas uma direção para descobrir como a vida surgiu, no estágio em que a conhecemos.
Uma das teorias sobre o início da vida na Terra sugere que os primeiros ingredientes da chamada "sopa orgânica" vieram de um cometa, considerados alguns dos corpos celestes mais antigos do Sistema Solar.
Passo a passo
A separação do módulo, a 22 Km do cometa, ocorreu às 07h03 de Brasília. O Philae levou cerca de sete horas para aterrissar. Ao longo desta manhã, os pesquisadores sediados em Darmstadt, na Alemanha, e em vários outros países da Europa que cooperam com a agência, acompanharam cada passo do processo de descida. Depois da liberação da sonda, outras etapas importantes foram concluídas com sucesso. Entre elas, o reestabelecimento da comunicação entre a Terra e o robô, e o acionamento do trem de pouso do módulo.
Nova etapa de exploração
Após a aterrisagem, uma nova etapa da missão Rosetta se inicia. Câmeras de alta resolução devem fornecer panorâmicas do ponto de pouso, chamado pelos cientistas de Agilkia, e dez outros equipamentos de pesquisa colherão dados sobre a estrutura interna do cometa. O módulo Philae vai perfurar o 67P/Churyumov-Gerasimenko para colher amostras, que serão analisadas remotamente. O robô vai ainda medir seu núcleo. Esses dados vão para a sonda e serão rebatidos para a Terra. O robô terá 64 horas de bateria para fazer tudo isso. É possível recarregá-las, já que os cientistas da ESA instalaram equipamentos que permitem o recarregamento pela luz solar, mas isso vai depender da claridade existente na região da aterrisagem.