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terça-feira, 22 de julho de 2014

Reconstrução de estação na Antártida deve custar R$ 245.000.000

Foto: Base Comandante Ferraz            Fonte: hypescience.com (2014)



Por NTV
A Comissão Interministerial para os Recursos do Mar, que reúne também a Marinha do Brasil, divulgou nesta segunda-feira, 21, o procedimento para realizar uma nova licitação internacional para reconstruir a Estação Antártica Comandante Ferraz (EACF), destruída há dois anos e meio por um incêndio que matou dois militares. A previsão é de que a nova estação custe US$ 110,5 milhões (o equivalente a R$ 245 milhões). "Este será o valor teto para essa licitação", afirmou o contra-almirante Marcos Silva Rodrigues, secretário da comissão.
O governo já tentou uma licitação apenas com empresas nacionais, no final de 2012, estimada em R$ 147,4 milhões, mas não houve interesse. "As empresas alegaram, principalmente, a questão do câmbio, do estudo de impacto ambiental que não estava completo e o preço, que eles achavam que estavam no limite", justificou. O contra-almirante indicou que "o preço (atual) está muito próximo (do valor) da estação coreana, que foi construída pela empresa Hyundai", afirmou, destacando que já há interesse de na obra por empresas chinesas, sul-coreanas e chilenas.
Segundo Rodrigues, a nova rodada "será uma licitação nacional e internacional", ou seja, pode haver consórcio entre uma nacional e uma estrangeira. "A Marinha está interessada em preservar a política do governo de estimular as empresas nacionais", disse.  O edital será lançado na próxima quarta-feira, 23, no Diário Oficial da União e, no sábado, 26, em veículo de imprensa internacional. A partir daí, as empresas terão 45 dias para apresentar propostas, com resultado do certame em outubro. A nova estação terá 4,5 mil metros quadrados. A expectativa é de que a reconstrução seja concluída em março de 2014, envolvendo de 60 a 80 trabalhadores.
A principal diferença em relação a licitação frustrada foi a realização de um novo estudo do terreno, que custou R$ 1,3 milhão. "Estávamos prevendo que teria rocha a cada 10 metros (de profundidade), mas vimos que tem a apenas 100 metros", disse.  Entre as novidades da nova estação, estará o novo modelo de cogeração de energia, que será usado também para aquecimento de água. "Nossa matriz de energia vai ser inteligente. Vamos trabalhar com geração eólica, solar e diesel", afirmou.
Rodrigues destacou o resgate da estação como parte da inserção do Brasil em uma geopolítica científica. "O fim do programa antártico brasileiro é a política, a presença do governo brasileiro e a permanência do Brasil como membro do conselho antártico", disse. "Quando falamos da Antártida não falamos apenas do continente em si. Temos 14 milhões de metros quadrados, sendo 98% da superfície coberta de gelo, com 76% da água doce, e 176 tipos de minerais", observou.
Incêndio. O Brasil chegou à Antártida com uma estação própria em 1984. Em fevereiro de 2012, um incêndio destruiu a base científica e militar. A Marinha iniciou, então, uma operação de resgate dos equipamentos lá instalados para evitar que fosse absorvido pelo gelo. "Depois do desmonte, só sobraram as partes remotas", disse Rodrigues. O desmonte da estrutura, instalada em uma região de 2.550 metros quadrados, retirou 9,5 toneladas da partes metálicas. "Em nenhum momento a nossa bandeira deixou de tremular no mastro principal da nossa base", afirmou.
Depois do desmonte, foi estabelecido um Módulo Antártico Emergencial no local, onde 15 militares permanecem para resguardar o território brasileiro. A desocupação significaria a perda do direito de exploração e pesquisa na estação. "Tínhamos um desafio, que era manter a pesquisa brasileira na Antártida", disse Rodrigues.

segunda-feira, 21 de julho de 2014

Peirópolis, no Triângulo Mineiro, pode ganhar título de geoparque.

Foto: Fóssil Uberabasuchus terrificus          Fonte: Acervo de Peirópolis



Por NTV
Destacado polo de pesquisa paleontólogica no Brasil, Uberaba, no Triângulo Mineiro, trabalha para se tornar um dos 17 geoparques do país, título concedido pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) para sítios geológicos com significativa relevância científica e natural, devido à presença de consideráveis fósseis de dinossauros. Em fase inicial, a proposta é popularizar a terra dos dinossauros a partir do reconhecimento do título da Unesco.
A ligação de Uberaba com a paleontologia tem início em 1945 por acaso. A empreiteira contratada para mudar o traçado da ferrovia Campinas-Goiânia encontrou uma ossada durante as obras. O paleontólogo brasileiro Llewellyn Ivor Price foi chamado para analisar o material. In loco, ele verificou que o achado era de dinossauros. Inclusive, “a bola” achada era o primeiro ovo de dinossauro do continente americano. Depois disso, em busca de mais material, Price analisou qual seria o local mais propício da região para a procura de outros exemplares. No Bairro Peirópolis, às margens da BR-262, a ocorrência de pedreiras de calcário poderia ser um indicador, o que era facilitado pela escavação feita pelos operários. Mas um fator poderia prejudicar novas descobertas: “Eram pessoas que só olhavam para o cal, e não saberiam jamais o que é um fóssil”, diz o atual coordenador das pesquisas, Luiz Carlos Borges Ribeiro.
Uma equipe de escavações foi montada por Price para a cada ano buscar mais material de pesquisa. Os trabalhos se estenderam de 1946 a 1974, anos antes da morte do pesquisador. Todo o material recolhido no Triângulo Mineiro era levado para análise no Rio de Janeiro, onde permanece até hoje compondo a coleção do Museu de Ciências da Terra do Serviço Geológico do Brasil (CPRM). Na década de 1990, o paleontólogo Luiz Carlos foi convidado para assumir o Centro de Pesquisas Paleontológicas Llewellyn Ivor Price e o Museu dos Dinossauros, retomando assim as buscas por fósseis. Atualmente, a equipe é a única do país a fazer escavações regulares (a cada ano).
No Brasil, atualmente, são 20 espécies identificadas, sendo três delas com ocorrência em Uberaba: Baurutitan britoi, Trigonosaurus pricei e Uberabatitan ribeiroi. Outros três grupos já foram identificados, mas é preciso achar novos fósseis para caracterizar a espécie. “É a maior concentração de achados, porque aqui se tem trabalho mais sistemático”, afirma Ribeiro, que, inclusive, tem uma espécie de dinossauro em sua homenagem. O Uberabatitan ribeiroi é um dos três titanossauros descritos na região. Trata-se do maior dinossauro brasileiro, com mais de 20 metros de comprimento e seis metros de altura. Dele foram recuperados mais de 200 fósseis. Assim como no caso da primeira descoberta, o achado do primeiro vestígio se deu durante as obras de duplicação da BR-050. As escavações foram feitas entre 2004 e 2006, com a retirada de mais de 300 toneladas de rocha.
“Os dinossauros saurópodes, representados essencialmente pelo grupo dos Titanosauria, têm destacada representatividade entre todos os táxons presentes nos sítios paleontológicos de Uberaba. Seus fósseis ocorrem em abundância, diversidade e grau de preservação singulares”, diz trecho da tese do professor sobre a paleontologia em Uberaba. Apesar da predominância de dinossauros, que representam mais de dois terços dos achados, a coleção dos sítios de Uberaba tem 4,5 mil exemplares fósseis, incluindo crocodiliformes (crocodilos), quelônios (tartarugas), anfíbios, peixes, mamíferos, moluscos e crustáceos, entre outros.
Tudo isso somado colabora para a relevância da região como importante sítio arqueológico, o que funciona como impulso para desenvolver o projeto do geoparque de Uberaba. “Desde meados do século passado, a região de Uberaba vem sendo alvo de intensas investigações paleontológicas. O motivo é que todo o município compõe um dos maiores e mais importantes sítios paleontológicos do Cretáceo continental brasileiro, com registros fósseis datados de 80 milhões a 65 milhões de anos de idade”, aponta trecho do livro Geoparques do Brasil – Propostas, organizado por Carlos Schobbenhaus e Cassio Roberto da Silva, que reúne propostas para 17 geoparques no Brasil, que tem apenas um geoparque, no Ceará. 
O projeto referente à Terra dos Dinossauros ainda é embrionário. “Não pensamos de imediato em submeter à UNESCO”, acrescenta Ribeiro. Ele pretende primeiro engrossar o coro no município. “A UNESCO exige relatórios demais. Por isso, nossa ideia não está suficientemente amadurecida”, afirma ele, que pensa em unir ao projeto outros dois elementos referentes à cidade: os zebuínos e o espírita Chico Xavier.
Segundo o diretor de publicações da Sociedade Brasileira de Paleontologia, Juan Carlos Cisneros Martínez, apesar de o geoparque não ter o intuito de transformar a região em área de conservação, quando o projeto é bem implementado, como se dá na China e na Europa, acaba por se valorizar. “Além de ajudar a proteger, contribui para que a comunidade se sinta identificada com o patrimônio”, afirma o pesquisador. No mais, o título pode funcionar como incentivo para fortalecer as pesquisas, quebrando um dos principais problemas da área no país: a falta de recursos para financiamento. Segundo Martínez, em outros países os pesquisadores atuam com exclusividade, enquanto aqui o tempo é dividido com o trabalho em sala de aula.
O que é um geoparque?
É uma área geográfica onde o patrimônio geológico faz parte de um conceito holístico de proteção, educação e desenvolvimento sustentável. O geoparque deve levar em conta a configuração geográfica de toda a região, e não apenas incluir locais de importância geológica. A sinergia entre a geodiversidade, a biodiversidade e a cultura, tangíveis e intangíveis do patrimônio são tais que os temas não geológicos devem ser destacados como parte integrante do geoparque, especialmente quando sua importância em relação à paisagem e a geologia possam ser demonstradas para os visitantes. Em muitas sociedades, a história natural, cultural e social, são indissociáveis e não podem ser separadas.

Cientistas descobrem nova espécie de dinossauro com 'quatro asas'

Foto: Fóssil encontrado na China  Fonte: Reuters (2014)

Fonte: Reuters (2014)



Por NTV
O fóssil de um estranho dinossauro com quatro membros cobertos de penas semelhantes a asas, escavado na China, pode fornecer novas evidências sobre as origens das aves, informaram cientistas em um estudo publicado esta terça-feira (15) na revista "Nature Communications".
Escavado na província de Liaoning, no nordeste da China, o fóssil bem preservado pertenceu a um predador de 125 milhões de anos do tamanho de um peru. Denominada Changyuraptor yangi, a criatura tem membros anteriores semelhantes a asas, assim como pernas cobertas de penas, que se assemelham a um segundo par de asas. Seu corpo mede 1,3 metro do bico até a ponta da longa cauda.
"Com 30 centímetros de comprimento, as impressionantes penas da cauda do Changyuraptor são, de longe, as mais longas de qualquer dinossauro emplumado", explicou Luis Chiappe, do Museu de História Natural de Los Angeles. Dinossauros semelhantes, que também aparentam ter quatro asas, são conhecidos como microraptors. Este é o maior microraptor já encontrado, com peso estimado em 4,5 quilos.
Apesar dos dois pares de "asas", a destreza com que voavam pelos céus ainda é tema de grande discussão. A nova descoberta sugere que, no caso do Changyuraptor, voar ou planar era bastante possível. As penas da cauda superlonga poderiam fornecer controle aerodinâmico, garantindo que a criatura fizesse um pouso seguro. Se for esse o caso, será preciso repensar a teoria segundo a qual as aves evoluíram apenas dos terópodes (dinossauros bípedes) pequenos e emplumados.
"O novo fóssil atesta que o voo do dinossauro não se limitou a animais muito pequenos, mas a dinossauros com tamanho mais robusto", escreveu Chiappe em um comunicado à imprensa. "É claro que necessitamos de muito mais evidências para compreender as nuances do voo do dinossauro, mas o Changyuraptor é um grande salto na direção certa", acrescentou. Datar a origem das aves tem sido motivo de discussão entre os paleontólogos.
Por décadas, o título de "primeira ave" pertenceu ao Archaeopteryx, um dinossauro de 150 milhões de anos, do qual 11 espécimes foram encontrados em minas de calcário na Alemanha. Mas alguns anos depois, foram descobertos na China fósseis de 160 milhões de anos do que parecem ser antepassados do Archaeopteryx.
A cauda do Changyuraptor contribui para a discussão ao mostrar os longos caminhos evolutivos que levaram ao aparecimento da primeira ave. "Muitas características que há muito tempo estiveram associadas com as aves evoluíram nos dinossauros muito antes que as primeiras aves entrassem em cena", disse outro pesquisador, Alan Turner, da Universidade Stony Brook, em Nova York. "Isto inclui ossos côncavos, comportamento de construir ninhos, penas. E possivelmente, o voo", acrescentou.

Fóssil revela cérebro de estranha criatura de 520 milhões de anos

Foto: Reuters (2014)



Por NTV
Pesquisadores descreveram, nesta quarta-feira (16) restos fossilizados descobertos na China que mostram em detalhe as estruturas do cérebro de um estranho grupo de criaturas marítimas que eram os maiores predadores da Terra há mais de 500 milhões de anos.
Os fósseis mostram um animal chamado Lyrarapax unguispinus, que viveu durante o Período Cambriano, um momento crucial na história da Terra, quando muitos dos principais grupos de animais apareceram pela primeira vez. O Lyrarapax fazia parte de um grupo conhecido como anomalocaridídeos, parentes primitivos dos artrópodes – que incluem crustáceos, insetos e aranhas – que caçavam suas presas com um par de membros parecidos com garras que ficava na frente dos olhos. A descoberta foi publicada na revista “Nature”.
Apesar de os anomalocaridídeos não terem descendentes diretos vivos hoje em dia, as estruturas do cérebro dos Lyrarapax parecem aquelas dos chamados vermes-aveludados, que rastejam pelo chão em florestas tropicais e subtropicais do hemisfério sul.
Os pesquisadores dizem que as similaridades sugerem que os vermes-aveludaddos podem ser primos muito distantes dos anomalocaridídeos.
Os vermes-aveludados crescem alguns centímetros em comprimento, têm dois longos tentáculos que se estendem a partir da cabeça e têm numerosos pares de pernas atarracadas que terminam, cada uma, em um par de garras.
Camarão grande
O Lyrarapax, cujo nome científico significa predador com garras espinhosas em forma de harpa, viveu há 520 milhões de anos. As partes moles do corpo de qualquer animal normalmente se decompõe após a morte, o que significa que os fósseis geralmente preservam apenas as partes duras, como os ossos, os dentes e as carcaças. Mas, sob condições excepcionais, tecidos moles e órgãos podem ser preservados em fósseis.
O Lyrarapax era muito menor do que outros anomalocaridídeos, medindo cerca de 15 cm de comprimento, mais ou menos o tamanho de um camarão grande. Peiyun Cong, um paleontólogo da Universidade Yunnan, na China, disse que os três espécimes encontrados “podem representar estágios imaturos do animal, então ele pode ser maior”.
Os fósseis revelam que os anomalocaridídeos possuíam cérebros muito menos complexos do que aqueles dos animais que eles comiam. O neurocientista Nicholas Strausfeld, da Universidade do Arizona, também autor da pesquisa, afirma que a ameaça imposta por predadores como estes pode ter ajudado a incrementar a complexidade cerebral dos outros animais nos mares antigos