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sábado, 6 de dezembro de 2014

Arqueólogos encontram no Peru pedra inca com 13 arestas

Fonte: AFP (2014)



Por NTV
Arqueólogos peruanos encontraram uma pedra singular inca com 13 arestas talhadas, a primeira do tipo descoberta no Peru, durante escavações em um canal hidráulico dessa época no monte Incawasi, no sudeste do país. A descoberta foi feita este mês, durante a exploração de um trecho da trilha de Qhapap Ñan (Caminho Inca, em quéchua) que ligava o Império Inca (Tahuantisuyo), estendendo-se por seis países - Argentina, Chile, Bolívia, Peru, Equador e Colômbia -, informou nesta sexta-feira (24) o ministério peruano da Cultura.
O Caminho Inca foi declarado, em junho passado, Patrimônio Mundial da Humanidade pela Unesco, uma distinção que reconhece o engenho de um sistema pré-hispânico que surpreendeu o mundo. Até agora, a pedra de origem inca mais famosa era a de 12 arestas, que integra o muro do palácio arcebispal de Cusco, antiga capital do império inca. Este palácio foi, antes, a residência do imperador Inca Roca. A pedra de 12 arestas é considerada Patrimônio Cultural da Nação.
Perfeccionista
A nova pedra descoberta tem um desenho perfeccionista feito com linhas retas e sem curvas, não possui assimetrias e faz parte da fonte de um sistema hidráulico, que servia para fazer um manejo ritual da água no sítio arqueológico Incawasi, situado no distrito de Huaytará, na região Huancavelica. Segundo o ministério da Cultura, ainda não é possível determinar se este sistema funcionou para fins agrícolas ou se era parte de um ritual dedicado à água.
A água é venerada há vários séculos nos Andes pelos povos que vivem ali, que atribuem a ela uma origem sagrada, vinda do interior das montanhas ou da terra, para depois percorrer vales e ajudar no crescimento de seus cultivos. O império incaico ou Tahuantinsuyo se estendeu entre os séculos XV e XVI.

domingo, 30 de novembro de 2014

No Peru, cúpula climática da ONU tenta 'rascunho zero' de acordo global

Foto: AFP (2014)



Por NTV
Começa nesta segunda-feira (1º) em Lima, no Peru, a COP 20, Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas. Diplomatas e cientistas reunidos até o dia 12 de dezembro têm em mente desta vez uma regra clara: é preciso sair dali com o “rascunho zero” de um acordo multilateral que obriga as nações a cortar emissões de gases a partir de 2020. Em meio a velhos embates, como a briga de responsabilidades das emissões entre países desenvolvidos e em desenvolvimento, as negociações deste ano podem ter avanços significativos, principalmente depois que grandes potências indicaram que terão um autocontrole no lançamento de poluentes.
Em novembro, os Estados Unidos divulgaram que querem reduzir entre 26% e 28% suas emissões até 2025. Já a China não apresentou números, mas se comprometeu a cortar o total de gases-estufa emitido até 2030. Em outubro, a União Europeia anunciou que vai diminuir em 40% suas emissões até 2030 e 32 países ricos destinaram mais de US$ 9 bilhões para o Fundo Verde do Clima. “O acordo entre as duas potências, EUA e China, sinalizou que esses países estão levando o processo a sério. É melhor que o business as usual [jargão utilizado que significa situação sem mudanças]”, disse Mark Lutes, especialista em mudanças climáticas do WWF-Brasil.
Mas o que está em jogo?
Os representantes de mais de 190 governos que integram Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (UNFCCC, na sigla em inglês) articulam por um documento que vai obrigar por força de lei seus signatários a tomar medidas para frear a elevação da temperatura global. O texto tem que ser aprovado e assinado até o final de 2015, durante a COP 21, em Paris, e seu conteúdo passará a vigorar a partir de 2020.
Sua criação foi definida na COP 17, na África do Sul, em 2011, e terá o objetivo de substituir o Protocolo de Kyoto, criado em 1997 para obrigar nações desenvolvidas a reduzir suas emissões em 5,2%, entre 2008 e 2012, em relação aos níveis de 1990. Kyoto é considerado ineficaz para conter as mudanças climáticas por não compreender um dos maiores emissores históricos de gases, os Estados Unidos (que não confirmaram sua participação no acordo), e não abrigar potências emergentes, como China, Índia e Brasil.
O que está em jogo agora não é apenas estabelecer quanto deve ser cortado de emissões de cada país, mas definir assuntos que viabilizam o funcionamento do futuro protocolo. São pontos ligados à adaptação dos países à nova realidade climática, definição de metodologias para criar defesas e resistir aos fenômenos extremos, além da questão dos meios de implementação, tema considerado espinhoso porque envolve investimento financeiro.
É dentro deste último tema que se debate de onde virá a verba e quanto será destinado aos países pobres no enfrentamento da mudança do clima, além de mecanismos ligados à transferência de tecnologia, capacitação técnica e cooperação entre governos. "É preciso saber como a ONU vai assegurar que esse processo terá a ambição necessária para frear o aquecimento e fechar a conta do clima", disse Carlos Rittl, secretário-executivo do Observatório do Clima, rede que engloba diversas organização da sociedade civil.
De acordo com o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, o IPCC, é necessário cortar de 40% a 70% as emissões em relação ao nível de 1990 para que, até 2050, termos chance de conter a elevação da temperatura em 2ºC. A temperatura média da Terra já subiu 0,85°C com relação à era pré-industrial.
Os debates em Lima acontecem em meio à possível confirmação de que 2014 pode ser o ano mais quente já registrado desde 1880 e à ocorrência de fenômenos extremos do clima em diversas partes do mundo. O Brasil, por exemplo, enfrenta a pior seca em 80 anos que impacta severamente o Sudeste, principalmente o estado de São Paulo, que articula maneiras de se evitar um “apagão” hídrico na área mais populosa do país. No entanto, prejuízos já são registrados, como na agricultura paulista, que pode ter as maiores perdas em 50 anos, de acordo com o governo.
Por causa desses efeitos já sentidos, mesmo que ainda não tenha sido comprovada cientificamente a ligação desses eventos climáticas com as alterações com a elevação da temperatura do planeta, que causaria as mudanças do clima, o negociador-chefe do Brasil na COP 20, embaixador José Antonio Marcondes de Carvalho, disse ser “absolutamente fundamental” conseguir o esboço inicial do acordo para que as negociações sejam concluídas a tempo de dezembro de 2015. "O nosso objetivo é que se avance na definição desses elementos do acordo e nós tenhamos as condições de ter um rascunho já para o início do ano que vem”, disse ele, em entrevista concedida nesta semana no Itamaraty.
Proposta do Brasil
O governo brasileiro chega à COP 20 defendendo a posição de que os países desenvolvidos devem permanecer com as maiores responsabilidades nos cortes de emissões em relação às nações em desenvolvimento – mantendo o princípio das Responsabilidades Comuns, porém diferenciadas. No entanto, pede que nações vulneráveis, como os Estados-ilha, não sejam forçados a empreender ações, já que eles têm poucos recursos e sua mitigação não teria impactos significativos.

Além disso, a diplomacia brasileira conseguiu submeter à UNFCCC a proposta de precificação de ações antecipadas, conhecida como “moeda do clima”. O objetivo do mecanismo é obter créditos por tudo que foi feito antes de 2020 para reduzir as emissões de gases. Na prática, se a ação for reconhecida, o Brasil poderia adiar a implementação de medidas dentro do novo acordo que entraria em vigor por já ter agido no enfrentamento da mudança climática. “Isso é algo muito justo. Mas é uma proposta que precisa de muita maturação”, afirma Rittl.

sábado, 29 de novembro de 2014

O CLIMA E O SIGNIFICADO DA FLORESTA TROPICAL AMAZÔNICA

Fonte: wwf.org.br (2014)

Prof. Dr. Valter Machado da Fonseca*
A população brasileira assiste atônita a um dos maiores períodos de estiagem dos últimos oitenta anos. A população de São Paulo teve uma pequena mostra das mazelas da seca, com as quais os nordestinos convivem durante toda sua vida. Na Serra da Canastra (MG), pela primeira vez a nascente do Rio São Francisco secou literalmente ameaçando o Rio São Francisco (o “Velho Chico”), já quase que totalmente desprovido de matas ciliares em quase todo seu percurso e totalmente retalhado por complexos sistema de usinas hidrelétricas. Por outro lado, os desmatamentos e queimadas criminosos continuam a todo vapor na Floresta Tropical Amazônica.
Mas, o que tem a ver a estiagem atual com a Floresta tropical Amazônica? 
É notável o potencial da Floresta Tropical Amazônica, não somente em diversidade biológica mas, sobretudo no que se refere à sua capacidade de jogar água na atmosfera por intermédio da evapotranspiração. A paisagem fitosionômica da Floresta Amazônica se destaca entre os principais biomas do mundo pela fabulosa riqueza em biodiversidade, destacando-se os diferentes estratos vegetais entrelaçados por cipós o que lhe confere enorme heterogeneidade e, consequentemente, uma imenso potencial de evapotranspiração.
A evapotranspiração é o fenômeno que confere aos vegetais a capacidade de lançar gotículas d’água na atmosfera por intermédio do sistema de poros capilares existentes nas folhas das diversas espécies vegetais. A heterogeneidade das inúmeras espécies vegetais de diferentes portes que vão desde os estratos pequenos, médios e grandes árvores, conferem à Floresta Tropical Amazônica um potencial ímpar, jamais igualado por qualquer outro ecossistema do planeta. Não é à toa que o volume de precipitações pluviométricas na Amazônia é o maior do mundo, permitindo a permanência, evolução e riqueza de tamanha biodiversidade.
Por outro lado, a evapotranspiração produzida pela floresta é responsável pela formação de massas de ar extremamente úmidas que pela força das correntes de ar leva esta umidade para diversas regiões do Brasil e da América do Sul, edificando as condições propícias para a ocorrência de chuvas em diferentes áreas, em especial na região Sudeste do Brasil. Portanto, a remoção da vegetação amazônica, por intermédio dos desmatamentos e queimadas irá interferir na formação das massas de ar úmidas e, por conseguinte, na diminuição do volume de precipitações pluviométricas (chuvas) em outras regiões brasileiras, a exemplo da região Sudeste. Podemos afirmar, sem medo de errar, que a Floresta Tropical Amazônica funciona como reguladora do equilíbrio térmico do planeta e como distribuidora de massas de ar úmidas que influenciam o regime de chuvas nas mais diferentes regiões do Brasil, especialmente na região Sudeste. A remoção da vegetação da floresta tropical gera uma lacuna que é preenchida por massas de ar secas, impedindo a geração de chuvas.  
Por fim, podemos afirmar que o desmatamento contínuo, crescente e ininterrupto na Floresta Tropical tem influência nos períodos de estiagem cada vez mais frequentes em diferentes regiões brasileiras. Desta forma, a Floresta Tropical Amazônica constitui-se num enorme patrimônio de recursos naturais não somente do Brasil mas de todo o planeta. Ou freamos os desmandos contra este relevante recurso da natureza ou estaremos fadados a nos adaptar ou sucumbir diante de um regime de secas jamais presenciado em nosso país em curtíssimo espaço de tempo. Cabe somente a nós decidir sobre o nosso próprio futuro enquanto espécie neste planeta Terra.   


* Escritor. Geógrafo, mestre e doutor em Educação Pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU). Pós-doutorando em Educação do Campo e Agroecologia também pela UFU. Docente do curso de graduação em Engenharia Ambiental e do Programa de Mestrado Acadêmico em Educação da Universidade de Uberaba (UNIUBE). Pesquisador das temáticas “Energia e interações complexas nos ecossistemas terrestres e aquáticos”.