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quarta-feira, 4 de março de 2015

Professores da Uniube debatem “A Dinâmica dos Ecossistemas”

Foto: Prof. Dr. Valter Machado da Fonseca (2015)

Foto: Prof. Dr. Valter Machado da Fonseca (2015)

Foto: Professores Leonardo, Danilo, Francienne, Welington (2015)



Por NTV
Aconteceu neste dia 03 de março (terça feira), às 15 horas, na sala do plenário da Pró-reitoria de Pesquisa, Pós-graduação e Extensão (PROPEPE) da Universidade de Uberaba, a reunião histórica de um grupo de professores da instituição, bem como membros de outras instituições (ex-alunos da Uniube) visando à constituição do Grupo de Estudos em Energia e Interações Complexas nos Ecossistemas Terrestres (GEICET), que será vinculado ao diretório de pesquisas do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
A reunião foi convocada pelo professor doutor Valter Machado da Fonseca, docente do curso de graduação em Engenharia Ambiental e do Programa de Mestrado Acadêmico em Educação da Universidade de Uberaba. O embasamento principal para a constituição deste relevante grupo de estudos científicos é o projeto de pesquisa “A Dinâmica dos Ecossistemas” proposto pelo professor Valter Fonseca. Segundo ele, trata-se de um projeto inédito que visa a decifrar os principais elos, interconexões e ligações responsáveis pela dinâmica e gasto energético dos principais biomas (ecossistemas) terrestres, dentre os quais se destacam o Cerrado, a Amazônia, o Pantanal Mato-grossense, a Caatinga, os Campos e Pradarias, a Mata Atlântica, além dos mares e oceanos, geleiras, desertos, taigas e savanas africanas.
Participaram da reunião, além do professor doutor Valter Machado da Fonseca, os seguintes professores: professora doutora Francienne Gois Oliveira (Agronomia/gestora Engenharia Ambiental/Uniube), professor doutor Renato Bortocan (ecotoxicologia/Uniube), professor mestre Welington Mrad Joaquim (Física/Uniube), professor mestre e doutorando Tiago Zanqueta (Biologia/Uniube), professor doutor Mauro Benigni (Química/Uniube), professora mestre Melina Chiba Galvão (Oceanografia/Uniube), professor doutor Leonardo Campos de Assis (Hidrologia/Sensoriamento Remoto/Uniube), professora doutora Roberta Vinhal Wagner (Geografia/Uniube), professora especialista Carolina de Oliveira Pinto (Engenharia Ambiental/Uniube), professor doutor Danilo Cezar (Robótica/Uniube), professora doutora Elizabeth Uber (Farmácia/Uniube), professora doutora Ana Chesca (Microbiologia/Uniube), professor doutor Júlio Samuel Bernardo (Engenharia de Produção/Uniube), Engenheira Ambiental Juliana de Fátima Silva (egressa da Uniube e mestranda pela Universidade Federal de Ouro Preto), Engenheira Ambiental Karina da Costa Sousa (egressa da Uniube e mestranda pela Universidade de Campinas), Engenheira Ambiental Kátia dos Costa Sousa (egressa da Uniube e mestranda pela Universidade Federal de São Carlos) e Professora Carmen Lúcia Ferreira (mestranda em Educação pela UFTM).        
Segundo o professor Fonseca, a pesquisa “A Dinâmica dos Ecossistemas” tem sido alvo de sua extrema atenção e de seus estudos já há cerca de pelo menos cinco anos. Ele acredita que o seu estudo pode abrir novos horizontes e caminhos inéditos para o entendimento da dinâmica do nosso planeta, além de desvendar a produção de novos conhecimentos e publicações relevantes revistas científicas em diversos campos do saber científico. Por isso, trata-se de um estudo interdisciplinar, multidisciplinar e transdisciplinar que demanda o envolvimento de professores de diferentes campos do conhecimento científico, como a Geologia, Geomorfologia, Astronomia, Física, Química, Biologia, Matemática, Bioquímica, Microbiologia, Botânica, dentre diversos outros campos das ciências da Terra. Por fim, ele acredita que a constituição do GEICET neste relevante encontro que teve total apoio da PROPEPE, na pessoa do Pró-reitor de Pesquisa professor doutor André Luís Teixeira Fernandes, se constitui num significativo passo para a edificação da pesquisa científica de ponta na Universidade de Uberaba, o que a colocará num patamar elevado e de destaque no cenário da pesquisa científica brasileira e até mesmo internacional.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

A SUPEREXPLORAÇÃO DO CERRADO LEVOU À EXTINÇÃO DO BIOMA

Foto: Cerrado/Peirópolis           Fonte: Arquivo V. M. da Fonseca (2012)



Prof. Dr. Valter Machado da Fonseca*
Para se entender a “escassez” ou migração hídrica da região Sudeste é necessário que compreendamos o que é o bioma cerrado e como está se concretizando o seu processo de extinção enquanto ecossistema natural, uma vez que nos localizamos no centro do bioma.
Pois bem! O cerrado, ou seja, suas principais fitofisionomias começaram a se encaixar enquanto vegetações que se constituem como características essenciais do bioma há cerca de 65 milhões de anos e vieram a se firmar como vegetações permanentes do bioma há aproximadamente 45 milhões de anos. Na verdade, o cerrado começou a se constituir enquanto bioma com propriedades e características particulares, logo após o Cretáceo Superior, ou seja logo após a extinção das espécies vegetais que marcaram a vida dos gigantescos répteis (dinossauros) que habitaram o planeta neste importante período geológico.
Devido a estas particularidades e características essenciais, as fitofisionomias que compõem o bioma cerrado estão entre as espécies florísticas mais antigas do mundo e que determinam a história recente do planeta Terra. Não são somente os aspectos fitofisionômicos que constituem as particularidades do bioma, a eles se somam os solos ácidos (ricos em alumínio), profundos, plainos e de boa drenagem. A isto também se somam duas estações climáticas bem distribuídas (pelo menos até há pouco tempo), uma seca e outra chuvosa.
Aliás, o clima foi um aspecto preponderante para o processo de adaptação do bioma cerrado ao longo do tempo geológico. O processo de perfeita adaptação do mosaico de espécies vegetais que compõem o cerrado se deu por intermédio da longa convivência com extremos climáticos, isto é, períodos extremamente secos e áridos alternando com fases de intensos índices de precipitações pluviométricas caracterizando intervalos geológicos extremamente chuvosos. O enfretamento e a convivência com extremos climáticos levaram as espécies vegetais do cerrado a uma alta especialização, o que permitiu o desenvolvimento de plantas preparadas para o convívio com clima seco alternado com estações chuvosas.
As folhas ásperas das plantas do cerrado garante às espécies vegetais a capacidade de retenção de água o que as nutrirão em épocas de períodos de chuvas escassas. No mesmo sentido, as raízes profundas de suas espécies vegetais lhe conferem a propriedade de extração de água diretamente dos lençóis e reservatórios subterrâneos possibilitando sua convivência com a estação seca. Do mesmo modo que esta água é extraída dos reservatórios subterrâneos ela é lançada na atmosfera por meio da evapotranspiração, garantindo a circulação de água que, ao mesmo tempo em que mantém vivas as vegetações cerradeiras, também mantém equilibrados os níveis dos aquíferos e lençóis subterrâneos.
Os pacotes tecnológicos justificados pela “Revolução Verde” nos anos 1960 e que perduram até os dias atuais, inverteram toda a lógica do processo de funcionamento natural do cerrado, afetando o regime de chuvas, o ciclo biogeoquímico e, consequentemente, dando um golpe fatal nos principais reservatórios de água, os quais deram ao bioma o status de grande caixa d’água da América do Sul. A quebra do equilíbrio natural do bioma cerrado veio na forma de alterações definitivas nas propriedades dos solos, do relevo, e da vegetação do ecossistema. Neste sentido, o cerrado entrou em sua fase derradeira de extinção definitiva (em estágio de não retorno), o que consequentemente também coloca em extinção os reservatórios superficiais e subterrâneos de água existentes no bioma.            


* Escritor. Geógrafo, mestre e doutor pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU). Professor e pesquisador da Universidade de Uberaba (UNIUBE). Membro e líder do grupo de pesquisas “Energia e Interações Complexas nos Ecossistemas Terrestres (GEICET) – UNIUBE/CNPq.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

O PLANETA EM CHAMAS...Filosofando!!!

imagensacervo.blogspot.com (2015)



Prof. Dr. Valter Machado da Fonseca*
O “Aquecimento Global” é o tema do momento. Mas, desta vez não se trata de mais um “modismo”, como aconteceram em várias oportunidades com o sensacionalismo dado pela rede de comunicação de massas, inúmeras vezes, às temáticas ambientais. Vários estudiosos sérios, de diversos ramos das ciências da Terra, há muito já chamavam a atenção para o drástico grau de enfermidade do planeta. O planeta dá claros sintomas de seu estado febril, de seu estado de agonia.
Mas não se trata de uma febre qualquer, mas de uma reação ao vírus da prepotência humana. A terra responde da única forma que lhe resta, com a única alternativa que lhe é oferecida. Quando um organismo de qualquer forma de vida encontra-se em estado febril, com a consequente elevação de temperatura, é sintoma da existência de alguma infecção, de algum elemento pernicioso ao seu funcionamento, ou, simplesmente, uma reação à presença de quaisquer corpos estranhos, incompatíveis, contraditórios com seu metabolismo. O aquecimento dos corpos é o sintoma da reação dos anticorpos que agem para expulsar os vírus estranhos, que podem ser letais para esses organismos, podendo levá-los à morte. Isto ocorre com a saúde do Planeta, ele está febril.
Não existe mistério para explicar o “Aquecimento Global”, os fatos falam por si mesmos. O homem experimentou o paladar saboroso do lucro proporcionado com a exploração desmedida dos recursos da natureza e, acreditou que não existiam limites para sua ganância. Afinal de contas, a natureza existe para servi-lo, unicamente para isso, imagina ele, na sua infinita e “infalível racionalidade”. Afinal, a terra pode suportar tudo, ela é “matéria morta”, “natureza inanimada”, não possui a infinita capacidade de raciocínio do homo sapiens. E é, exatamente contra este vírus letal da prepotência humana, que a Terra reage e lança seus anticorpos. O avanço sem precedentes da tecnologia, a racionalidade técnica e científica dão poderes ilimitados à prepotência gananciosa da espécie humana. É dentro deste contexto que o Planeta reage.
Mas, a reação do Planeta é altamente democrática. Ele não separa os “homens bons” dos “homens maus”, os sensatos dos insensatos, os ricos dos pobres, os poderosos dos miseráveis, pelo contrário, sua ira atinge todos os homens indistintamente. Esta é sua suprema e sábia democracia. A “natureza morta”, que o homem acreditava dominar e explorar dá mostras de sua força, de sua sapiência, de sua vida, de sua supremacia.
A espécie humana, apesar de possuir apenas alguns segundos de existência, geologicamente falando, já causou danos e estragos nunca dantes conhecidos. Estas mesmas pesquisas apontam para a extinção da espécie humana em apenas mais alguns segundos (em tempo geológico) de existência sobre a face da Terra. Após a extinção do homem, a terra, com certeza, se recomporá de uma forma mais saudável, sem a ameaça da existência humana. Aí, a Terra terá conseguido levar a cabo sua reação, terá expulsado de seu organismo, da forma mais dolorosa, o vírus pernicioso da prepotência humana, o grande responsável por suas enfermidades e seu estado febril.


* Escritor. Geógrafo, mestre e doutor pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU). Professor e pesquisador da Universidade de Uberaba (UNIUBE). Membro e líder do grupo de pesquisas “Energia e Interações Complexas nos Ecossistemas Terrestres (GEICET) – UNIUBE/CNPq.