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sábado, 25 de julho de 2020

DIRETO DO BAÚ DO ISOLAMENTO

Prof. Dr. Valter Machado da Fonseca (2020)



Prof. Dr. Valter Machado Fonseca

Após algum tempo sem postar; resolvi libertar um pequeno desabafo que me atormenta, um devaneio, daqueles que surgem do nada, em meio ao silêncio das madrugadas. Trago comigo, o tempo todo, dois valores aprendidos com meu saudoso pai, dos quais jamais abrirei mão, sinceridade e coerência e é com base neles que rabisco este singelo texto.

Estes tempos sombrios, obscuros, que beiram ao barbarismo e pelos quais todos (as) nós estamos atravessando não surgiram do nada, em absoluto, eles têm um grande sentido, muito significado. Esses tempos servem para que façamos uma introspecção profunda, uma imersão em nós mesmos, em nossos pensamentos, em nossas consciências, que busquemos sentido naquilo que parece não ter sentido algum, que parece-nos até absurdo. 

São em tempos como esses que surge a oportunidade ímpar de se fazer o balanço de nossas existências, daquilo que talvez nos seja mais caro, daquilo que habita a intimidade mais oculta de nossas consciências. São nesses tempos que podemos medir as coisas, os sentimentos, as emoções, os valores éticos e morais, que podemos comparar a arrogância com a simplicidade, as vaidades com a humildade, a prepotência e o ódio com o amor. São nesses tempos mais cruéis, de mortes das consciências humanas, que o universo nos dá a chance, a oportunidade da busca profunda de nós mesmos, de quem somos nós, do “ser” neste mundo. 

Existe um dito popular que afirma que os amigos (as) de verdade a gente os descobre nos momentos de incertezas, de opacidades, de crueldade, de angústia. Assim, apesar de parecer um clichê, esta afirmação surge de maneira a comprovar as supostas inverdades que até então pensávamos se tratar de verdades inquestionáveis. É meus caros (as) amigos (as)! “O poço das vaidades não tem fundo” e isto se evidencia em tempos como estes. Pessoas nas quais acreditávamos cegamente, que julgávamos inquestionáveis, emergem dessa realidade cruel como nebulosidades, cujos discursos nos pareciam legítimos e verdadeiros, são, de fato, a afirmação de uma falsa consciência, forjada por elas em tempos ditos “normais” para enganar-nos e talvez até mesmo iludir a si próprios e, esses discursos, dissociados da ação prática no mundo, emergem nestes tempos com toda sua força, com toda sua atrocidade.

Desta forma minhas caras (os) amigas e amigos, por mais contraditório que pareça ser, estes tempos de pandemia, de isolamento social, tem me servido para submergir nas próprias águas que formam o oceano de minha consciência, nas regiões abissais de meu próprio ser. Nos breves intervalos de meus estudos, ao som de uma suave e boa música, ao delicioso sabor do ressonar de minha amada companheira nas madrugadas frias de nossa Viçosa, muitas vezes me pego a pensar sobre coisas como essas. Aí, após muito relutar comigo mesmo, resolvi compartilhá-las. 

Muitos que até então eu considerava muito próximos se distanciam, o que me permite compreender o abissal distanciamento entre os discursos e suas práticas, verifica-se uma lógica “ilógica” de muitos que, em nome de uma suposta inclusão, excluem cruelmente, pelo simples motivo de enxergarem o mundo com outras cores, de pensarem diferente de suas “verdades dogmáticas”, definitivas. Muitos são os que se agrupam para se protegerem de si mesmos, si afirmam supostamente iguais, ignorando, por completo, as diferenças inerentes do ser humano. Criam-se “guetos” e cuja sobrevivência depende da ilusão de uma dogmática, contraditória e constante autoafirmação diante de amplos setores marginais desta sociedade. E, diante disso, estes somente são capazes de perceber o preto e o branco, incapazes que são de perceber as outras cores que compõem o espectro do arco-íris. 

Por outro lado, são também em tempos como estes, sombrios, tediosos, opacos, desnudos, quase vazios, que surgem outros que até então estavam distantes ou, simplesmente não conhecíamos e que passam a fazer parte essencial de nossa existência, entram como tijolos na construção de nossa consciência, tornam-se partes fundamentais de nossa construção como sujeitos históricos e sociais, enquanto seres humanos inacabados que somos, conforme afiança o nosso grandioso e inesquecível Paulo Freire. 

Para terminar, caros amigos e amigas, tenho a absoluta certeza que, após esta pandemia, voltarei de forma diferente, com novos aprendizados, com o fortalecimento de meus valores essencialmente humanos, fortalecido pela descoberta de novas pessoas, de outros olhares e talvez, também um pouco triste diante da desilusão e da decepção com outros que acreditava firmemente que fossem meus (minhas) amigos e amigas. Mas, com toda certeza, sairei desta desventura como um ser humano muito melhor, com o fortalecimento da firmeza de minhas convicções nesta sociedade de desiguais. 

Deixo um beijo carinhoso nos corações de todos (as) meus amigos (as). Gratidão a todos (as) que se aproximaram de mim neste momento de tanta angústia e solidão! Gratidão a todos (as) que, apesar de minha incompletude, ainda confiam e insistem comigo ofertando carinho, afeto e amizade. Se, no momento, não consigo mudar o mundo, mudo a mim mesmo, tento acrescentar algo melhor à minha incompletude enquanto ser inacabado. 

Deixo a vocês uma simples frase de Lev Davidovich Bronstein, o Leon Trotsky, “Com absoluta certeza, a história é mais forte que os grupelhos e que os aparelhos contrarrevolucionários” e completo com Dostoievski: “Haverá um tempo em que a miséria e a opressão não serão mais que simples cicatrizes na história”. Fiquem em paz e se cuidem, vocês são deveras importantes para mim!  

CRÉDITOS DA FOTO: Carmen Lucia Ferreira Silva (julho, 2020) 

terça-feira, 26 de maio de 2020

CONTATO COM OS (AS) AMIGOS (AS)




Prof. Dr. Valter Machado Fonseca

Quero aproveitar este espaço para me comunicar com amigos (as). Nestes tempos sombrios e tenebrosos com a crise política e da saúde estabelecida quase que de forma definitiva em nosso país, muita coisa povoa minha mente. Porém, a esperança não me abandonou e espero que ela não tenha abandonado as mentes e os corações de cada um/uma de meus amigos e amigas.

Diante dessa pandemia mundial e da situação política caótica que tomou conta do Brasil, resolvi me recolher, realizar uma imersão e uma introspecção em mim mesmo. Para isso resolvi fazer aquilo que gosto, na tentativa tresloucada de fuga da inércia e da alienação que toma conta da maior parcela de todos, da grande maioria da população brasileira. Então, como estou afastado em função da realização de meu segundo estágio de pós-doutorado resolvi realizar uma imersão em meus estudos.
Diante disso, estou trabalhando em duas frentes: a primeira os estudos relativos ao meu pós-doutorado no PPGHIS/UFOP, cuja temática se refere ao Estudo da História da África e afrodescendentes. Acredito que este estudo irá gerar publicações relevantes para as discussões e debates étnico-raciais. 

A minha segunda frente de trabalho trata-se de um livro, cuja escrita já está em andamento sob o título: A DINÂMICA DOS ECOSSISTEMAS: a dimensão socioambiental da Coivid-19”. Neste livro contarei com a parceria de meu grande amigo Aristóteles Teobaldo Neto que concluiu recentemente seu doutorado na UNESP/Presidente Prudente e cujo estudo será de grande valia para a composição desta obra.

A tessitura desse texto demanda a fuga das leituras de superfície e uma profunda escavação da realidade, um pensamento e uma escrita complexa e, acredito que o resultado deverá resultar numa publicação em torno de 400 a 500 páginas. Porém, penso se tratar de um estudo que muito auxiliará na reflexão aprofundada sobre a crise sanitária que estamos presenciando em todo o globo e que envolve dimensões ambientais, político-econômicas e sociais. Diante dessa desafiadora tarefa minha presença neste espaço do Face será muito limitada.


Termino esta minha singela mensagem deixando aos amigos e às amigas meu abraço carinhoso e ao mesmo tempo expresso minha gratidão pela companhia durante longos e saborosos anos neste espaço, dialogando, distribuindo sorrisos, felicidades e às vezes tristezas. Afinal, as tristezas também fazem parte da grande obra da vida. Deixo a vocês minha gratidão e meu carinho! Embora possa parecer clichê, deixo um beijão afetuoso no coração de cada um/uma de meus amigos e amigas. Até qualquer dia!

domingo, 13 de maio de 2018

A EMANCIPAÇÃO DOS TRABALHADORES SERÁ OBRA DOS PRÓPRIOS TRABALHADORES

Foto: Prof. Dr. Valter Machado da Fonseca (2018)


Prof. Dr. Valter Machado Fonseca
Este título é uma célebre frase de Karl Marx e Friedrich Engels do “Manifesto Comunista” de 1848 e serve de fio condutor para a elaboração destas breves linhas acerca do Dia do Trabalhador. Mas, para iniciar esta singela reflexão, convoco a memória dos mártires de Chicago (EUA) que no dia 1º de maio de 1886 construíram a grande greve geral cuja reivindicação central foi a redução da jornada de trabalho de 13 para 08 horas diárias. O assassinato dos operários de Chicago é o símbolo máximo da luta e da resistência da classe operária, o qual é relembrado no dia 1º de maio em todo o mundo. Dessa forma, o dia 1º de maio nunca foi uma data festiva, entretanto, tornou-se uma data de reflexão para o conjunto dos trabalhadores sobre sua ação na luta de classes acerca de seus avanços, refluxos, formas de organização, com vistas à construção de seu enfrentamento às forças reacionárias que marcam o domínio do capital sobre o trabalho.
Nestes tempos d’agora, marcados fundamentalmente pela ofensiva neoliberal em todas as regiões do globo, presenciamos o tensionamento da relação capital-trabalho, com o acento posto sobre o capital, isto é, assistimos as mais cruéis ofensivas generalizadas das forças destrutivas do capital sobre o mundo do trabalho e de todos os que vivem dele. A ofensiva neoliberal por intermédio de seus ajustes políticos e econômicos destroçam uma a uma todas as parcas conquistas secularmente consagradas pelas lutas heroicas da classe explorada em nível mundial. E, no Brasil isto não é diferente.
Em nosso país em particular, o golpe de 2016 que destituiu a presidente Dilma Rousseff, democraticamente eleita pela classe trabalhadora e pelo conjunto dos explorados desta nação é apenas a ponta do iceberg da ofensiva neoliberal em território brasileiro. Os desdobramentos decorrentes do golpe de Estado implantado em nosso país trazem consequências cruéis, desumanas para o conjunto dos trabalhadores do Brasil. O governo golpista tratou de seguir à risca a cartilha dos princípios neoliberais: rasgou e jogou no lixo a Constituição Federal de 1988, sucateou e privatizou o que restava de nossas empresas estatais, destruiu as conquistas trabalhistas historicamente arrancadas na luta de classes pelo conjunto dos explorados, desmontou a educação e saúde públicas e deu passos gigantescos para o desmonte da previdência social.
Neste sentido, este primeiro de maio exige uma reflexão profunda de todos os setores explorados do Brasil e do mundo. Exige um repensar sobre o sentido de pertencimento de classe dos trabalhadores, explorados e marginalizados deste modelo cruelmente excludente de sociedade. Exige a busca de ações práticas que visem acumular forças para a organização da resistência contra a ofensiva nazifascista que brota em todos os cantos do planeta, inclusive em terras brasileiras. Demanda uma retomada da consciência de classe no sentido de organizar ações que objetivem a superação da ofensiva neoliberal e seus pacotes de ajustes econômicos.
E para arrematar, presenciamos ainda, dentre muitos assassinatos de trabalhadores (as), ao assassinato brutal de Marielle Franco (RJ), à criminalização dos movimentos sociais e à prisão à revelia do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A prisão de Lula é uma tentativa final de destruição de toda a simbologia da luta dos trabalhadores brasileiros pelas forças destrutivas do capital.
As questões e bandeiras de lutas legítimas, porém fragmentadas, tais como as lutas das minorias, de gênero, etnias, dos ativistas que lutam contra todas as formas de discriminação e preconceito, da luta pela terra, moradia, dentre outras, devem buscar firmemente o caminho da unificação para a resistência aos desmandos do neoliberalismo. Estas reivindicações somente serão resolvidas com a superação da exploração do homem pelo próprio homem, ou seja, pela superação do Estado capitalista. Nunca estiveram tão atuais as últimas palavras do Manifesto Comunista de 1848: “Proletários de todo o mundo uni-vos”. Pensemos sobre isto neste primeiro de maio de 2018.

sábado, 14 de abril de 2018

REUNIÃO PREPARATÓRIA AO 12º CONGRESSO DA SBSP-2018

Foto: Logomarca do XII Congresso SBSP-2018

Foto: Participantes do encontro (2018)

Foto: Participantes do encontro (2018)

Foto: Participantes do encontro (2018)

Foto: Participantes do encontro (2018)

Foto: Participantes do encontro (2018)

Foto: Participantes do encontro (2018)

Foto: Participantes do encontro (2018)


Prof. Dr. Valter Machado Fonseca
Ocorreu no dia de hoje, 13 de abril de 2018, mais uma reunião preparatória ao XII Congresso da Sociedade Brasileira de Sistemas de Produção (SBSP), na sala de reuniões do Departamento de Educação da Universidade Federal de Viçosa (DPE-UFV). Com o tema AGRICULTURA: EDUCAÇÃO, DIVERSIDADE E NATUREZA, o congresso irá ocorrer entre os dias 03 e 06 de setembro na Universidade Federal de Viçosa (UFV).
A reunião tratou de temas importantes como organização de comissões de trabalho, definição de logomarca do evento e materiais de divulgação, temas e palestrantes de mesas redondas, além de definição da Comissão Científica e formato de trabalhos a serem inscritos e apresentados no congresso. Foi um encontro muito produtivo que deu passos fundamentais para a concretização do XII Congresso da SBSP. Agradecemos a todos (as) que não medem esforços para a  organização e concretização  de tão relevante evento.