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quinta-feira, 17 de setembro de 2020

A COVID-19 E A MORTE DAS CONSCIÊNCIAS

 

Prof. Valter Machado da Fonseca (2020)

Prof. Dr. Valter da Machado Fonseca 

Esses dias, ao assistir a destruição criminosa do Pantanal e refletindo sobre as queimadas e desmatamentos na Amazônia, comecei a rabiscar este breve texto que agora compartilho com amigos e amigas. A Covid-19 talvez seja a expressão máxima dos avisos que a natureza (o planeta Terra) tenha feito à humanidade. A Terra tenta nos avisar de todas as formas possíveis sobre as incongruências de um sistema altamente nocivo a ela (Terra), um sistema autofágico que devora todos os ecossistemas, não respeitando seus limites e formas de autorregulação.

Há tempos, temos presenciado as grandes enchentes, nevascas, furacões, tempestades, desregulações climáticas de toda ordem. Porém, a humanidade insiste em não refletir sobre suas ações no planeta, devorando de forma cada vez mais irracional seus recursos naturais. Tudo para manter acesa a chama da mais-valia e a expansão infinita do capital e todas suas formas de dominação e opressão.

Neste cenário que beira ao barbarismo surge um minúsculo vírus, uma microscópica partícula que traz consigo uma sequência de RNA, envolta em uma cápsula de proteína (o SARS-Cov-2) que, apesar de sua composição aparentemente simples, possui um enorme potencial de ceifar milhões de vidas humanas. Talvez esta seja a expressão última dos recados que o universo dirige ao planeta Terra e à humanidade que o habita.

Trata-se da intervenção das forças universais, responsáveis pela manutenção do equilíbrio dos ecossistemas planetários, para eliminar os responsáveis pelo desequilíbrio, ou seja a espécie humana. A lição deveria vir em forma de reflexão coletiva dos homens (providos de consciência) sobre sua própria ação sobre os limitados recursos do planeta. Este foi apenas um derradeiro aviso das forças universais ao conjunto da humanidade. Entretanto, parece que a humanidade não entendeu o recado ou simplesmente resolveu ignorá-lo.

Agora, entendo perfeitamente a célebre frase de Albert Einstein quando perguntado sobre a terceira guerra mundial. Ele respondeu “sobre a terceira guerra não sei dizer como será, porém, a quarta guerra mundial será com paus e pedras”. A mente genial de Einstein previu a quase extinção da espécie humana e sua tecnologia colocada a serviço da destruição do homem pelo próprio homem, conforme previu também o genial Karl Marx.

Caros (as) amigos e amigas! A terceira guerra está acontecendo neste exato momento, por intermédio da gigantesca escalada da destruição fascista que varre o planeta, assassinando milhões de seres humanos com mísseis ou pela fome, pelo armamento da população, pelas milícias organizadas pelo sistema capitalista, pelo genocídio indígena, de negros, mulheres, comunidades LGBTQI+, dentre outras. Estas são as mazelas de um sistema necrosado e para o qual, infelizmente, não temos substituto. Pois é! A terceira guerra está acontecendo com o assassinato das consciências e pela fragmentação dos explorados e oprimidos que se enfrentam para sobreviver a este “mar de lama” e se esquecem do verdadeiro inimigo, que os manipulam com os discursos fascistas e reacionários. Tais discursos agem sobre as massas humanas e provocam o assassinato em série da maioria das consciências humanas. E, esta terceira guerra será muito breve, historicamente falando. Tomara que eu esteja errado!

A quarta guerra já se faz anunciar e o seu mensageiro está no RNA do SARS-COV-2. Será a batalha final do Capital X Natureza, ou seja das ações ilógicas e irracionais da humanidade contra as forças que regem a dinâmica dos ecossistemas terrestres e aquáticos e também são responsáveis por regular a dinâmica universal. Então, a Covid-19 é apenas uma mostra do que virá em breve, muito em breve. Com certeza virá uma coisa muito mais potente que o SARS-COV-2. Virá para eliminar, de vez, o vírus que corrói e destrói o planeta, o ser humano e sua irracionalidade. Sobrarão muito poucos para fazer acontecer a profecia genial de Einstein: concluir a quarta guerra com paus e pedras. Amigos e amigas, tirem um tempinho de seus afazeres para refletir sobre tudo isso. Amo vocês!

Créditos da foto: Carmen Lucia Ferreira Silva (2020)

PS.: As ideias elencadas neste texto fazem parte das reflexões contidas em um livro, no qual estou trabalhando para ser lançado no primeiro semestre do ano de 2021: "A DINÂMICA DOS ECOSSISTEMAS: a dimensão socioambiental da COVID-19"

sábado, 25 de julho de 2020

DIRETO DO BAÚ DO ISOLAMENTO

Prof. Dr. Valter Machado da Fonseca (2020)



Prof. Dr. Valter Machado Fonseca

Após algum tempo sem postar; resolvi libertar um pequeno desabafo que me atormenta, um devaneio, daqueles que surgem do nada, em meio ao silêncio das madrugadas. Trago comigo, o tempo todo, dois valores aprendidos com meu saudoso pai, dos quais jamais abrirei mão, sinceridade e coerência e é com base neles que rabisco este singelo texto.

Estes tempos sombrios, obscuros, que beiram ao barbarismo e pelos quais todos (as) nós estamos atravessando não surgiram do nada, em absoluto, eles têm um grande sentido, muito significado. Esses tempos servem para que façamos uma introspecção profunda, uma imersão em nós mesmos, em nossos pensamentos, em nossas consciências, que busquemos sentido naquilo que parece não ter sentido algum, que parece-nos até absurdo. 

São em tempos como esses que surge a oportunidade ímpar de se fazer o balanço de nossas existências, daquilo que talvez nos seja mais caro, daquilo que habita a intimidade mais oculta de nossas consciências. São nesses tempos que podemos medir as coisas, os sentimentos, as emoções, os valores éticos e morais, que podemos comparar a arrogância com a simplicidade, as vaidades com a humildade, a prepotência e o ódio com o amor. São nesses tempos mais cruéis, de mortes das consciências humanas, que o universo nos dá a chance, a oportunidade da busca profunda de nós mesmos, de quem somos nós, do “ser” neste mundo. 

Existe um dito popular que afirma que os amigos (as) de verdade a gente os descobre nos momentos de incertezas, de opacidades, de crueldade, de angústia. Assim, apesar de parecer um clichê, esta afirmação surge de maneira a comprovar as supostas inverdades que até então pensávamos se tratar de verdades inquestionáveis. É meus caros (as) amigos (as)! “O poço das vaidades não tem fundo” e isto se evidencia em tempos como estes. Pessoas nas quais acreditávamos cegamente, que julgávamos inquestionáveis, emergem dessa realidade cruel como nebulosidades, cujos discursos nos pareciam legítimos e verdadeiros, são, de fato, a afirmação de uma falsa consciência, forjada por elas em tempos ditos “normais” para enganar-nos e talvez até mesmo iludir a si próprios e, esses discursos, dissociados da ação prática no mundo, emergem nestes tempos com toda sua força, com toda sua atrocidade.

Desta forma minhas caras (os) amigas e amigos, por mais contraditório que pareça ser, estes tempos de pandemia, de isolamento social, tem me servido para submergir nas próprias águas que formam o oceano de minha consciência, nas regiões abissais de meu próprio ser. Nos breves intervalos de meus estudos, ao som de uma suave e boa música, ao delicioso sabor do ressonar de minha amada companheira nas madrugadas frias de nossa Viçosa, muitas vezes me pego a pensar sobre coisas como essas. Aí, após muito relutar comigo mesmo, resolvi compartilhá-las. 

Muitos que até então eu considerava muito próximos se distanciam, o que me permite compreender o abissal distanciamento entre os discursos e suas práticas, verifica-se uma lógica “ilógica” de muitos que, em nome de uma suposta inclusão, excluem cruelmente, pelo simples motivo de enxergarem o mundo com outras cores, de pensarem diferente de suas “verdades dogmáticas”, definitivas. Muitos são os que se agrupam para se protegerem de si mesmos, si afirmam supostamente iguais, ignorando, por completo, as diferenças inerentes do ser humano. Criam-se “guetos” e cuja sobrevivência depende da ilusão de uma dogmática, contraditória e constante autoafirmação diante de amplos setores marginais desta sociedade. E, diante disso, estes somente são capazes de perceber o preto e o branco, incapazes que são de perceber as outras cores que compõem o espectro do arco-íris. 

Por outro lado, são também em tempos como estes, sombrios, tediosos, opacos, desnudos, quase vazios, que surgem outros que até então estavam distantes ou, simplesmente não conhecíamos e que passam a fazer parte essencial de nossa existência, entram como tijolos na construção de nossa consciência, tornam-se partes fundamentais de nossa construção como sujeitos históricos e sociais, enquanto seres humanos inacabados que somos, conforme afiança o nosso grandioso e inesquecível Paulo Freire. 

Para terminar, caros amigos e amigas, tenho a absoluta certeza que, após esta pandemia, voltarei de forma diferente, com novos aprendizados, com o fortalecimento de meus valores essencialmente humanos, fortalecido pela descoberta de novas pessoas, de outros olhares e talvez, também um pouco triste diante da desilusão e da decepção com outros que acreditava firmemente que fossem meus (minhas) amigos e amigas. Mas, com toda certeza, sairei desta desventura como um ser humano muito melhor, com o fortalecimento da firmeza de minhas convicções nesta sociedade de desiguais. 

Deixo um beijo carinhoso nos corações de todos (as) meus amigos (as). Gratidão a todos (as) que se aproximaram de mim neste momento de tanta angústia e solidão! Gratidão a todos (as) que, apesar de minha incompletude, ainda confiam e insistem comigo ofertando carinho, afeto e amizade. Se, no momento, não consigo mudar o mundo, mudo a mim mesmo, tento acrescentar algo melhor à minha incompletude enquanto ser inacabado. 

Deixo a vocês uma simples frase de Lev Davidovich Bronstein, o Leon Trotsky, “Com absoluta certeza, a história é mais forte que os grupelhos e que os aparelhos contrarrevolucionários” e completo com Dostoievski: “Haverá um tempo em que a miséria e a opressão não serão mais que simples cicatrizes na história”. Fiquem em paz e se cuidem, vocês são deveras importantes para mim!  

CRÉDITOS DA FOTO: Carmen Lucia Ferreira Silva (julho, 2020) 

terça-feira, 26 de maio de 2020

CONTATO COM OS (AS) AMIGOS (AS)




Prof. Dr. Valter Machado Fonseca

Quero aproveitar este espaço para me comunicar com amigos (as). Nestes tempos sombrios e tenebrosos com a crise política e da saúde estabelecida quase que de forma definitiva em nosso país, muita coisa povoa minha mente. Porém, a esperança não me abandonou e espero que ela não tenha abandonado as mentes e os corações de cada um/uma de meus amigos e amigas.

Diante dessa pandemia mundial e da situação política caótica que tomou conta do Brasil, resolvi me recolher, realizar uma imersão e uma introspecção em mim mesmo. Para isso resolvi fazer aquilo que gosto, na tentativa tresloucada de fuga da inércia e da alienação que toma conta da maior parcela de todos, da grande maioria da população brasileira. Então, como estou afastado em função da realização de meu segundo estágio de pós-doutorado resolvi realizar uma imersão em meus estudos.
Diante disso, estou trabalhando em duas frentes: a primeira os estudos relativos ao meu pós-doutorado no PPGHIS/UFOP, cuja temática se refere ao Estudo da História da África e afrodescendentes. Acredito que este estudo irá gerar publicações relevantes para as discussões e debates étnico-raciais. 

A minha segunda frente de trabalho trata-se de um livro, cuja escrita já está em andamento sob o título: A DINÂMICA DOS ECOSSISTEMAS: a dimensão socioambiental da Coivid-19”. Neste livro contarei com a parceria de meu grande amigo Aristóteles Teobaldo Neto que concluiu recentemente seu doutorado na UNESP/Presidente Prudente e cujo estudo será de grande valia para a composição desta obra.

A tessitura desse texto demanda a fuga das leituras de superfície e uma profunda escavação da realidade, um pensamento e uma escrita complexa e, acredito que o resultado deverá resultar numa publicação em torno de 400 a 500 páginas. Porém, penso se tratar de um estudo que muito auxiliará na reflexão aprofundada sobre a crise sanitária que estamos presenciando em todo o globo e que envolve dimensões ambientais, político-econômicas e sociais. Diante dessa desafiadora tarefa minha presença neste espaço do Face será muito limitada.


Termino esta minha singela mensagem deixando aos amigos e às amigas meu abraço carinhoso e ao mesmo tempo expresso minha gratidão pela companhia durante longos e saborosos anos neste espaço, dialogando, distribuindo sorrisos, felicidades e às vezes tristezas. Afinal, as tristezas também fazem parte da grande obra da vida. Deixo a vocês minha gratidão e meu carinho! Embora possa parecer clichê, deixo um beijão afetuoso no coração de cada um/uma de meus amigos e amigas. Até qualquer dia!