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quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Para morrermos, basta que estejamos vivos!

Fonte: correiobraziliense.com.br


Por Valter Machado da Fonseca

Ontem [25/01/2012], enquanto a TV anunciava o desabamento dos edifícios no centro do Rio de Janeiro [nas proximidades do Teatro Municipal], me dei conta de quanto a vida humana é irrisória. Passou-me pela mente um verdadeiro filme. Recordei do grande incêndio do edifício Joelma (SP) em 1974, da queda das torres gêmeas em 2001 e de diversos outros eventos e catástrofes fatais ocorridos pelo mundo afora.

A lembrança dessas catástrofes me trouxe importantes reflexões acerca da insignificância da vida humana. Aí, fiquei me perguntando quantas pessoas estariam, naquele exato instante, em um quarto de hospital em estado terminal. Outros, naquele mesmo instante, não estariam lutando com todas suas forças contra a morte, talvez vitimados por alguma moléstia fatal? Quantos, naquele exato instante, não estariam sendo vitimados por algum acidente também fatal em algum ponto de alguma estrada do Brasil e/ou do mundo? Muitas vezes deixamos fluir nossa arrogância diante de outrem, como se fôssemos eternos, como se não estivéssemos, a todo instante, à beira dos caminhos, trilhas e precipícios, que fatalmente levariam à morte. Quantas vezes não escapamos de uma fatalidade por um triz, sem nos darmos conta de quão próximos estivemos do fim da linha? Estas catástrofes servem também para que façamos reflexões sobre a vida, o mundo e o lugar que ocupamos nele.

Nós, enquanto seres humanos, somos providos de sentimentos e emoções. Somos providos da capacidade de sonhar, da capacidade de traçarmos projetos de vida e de consumo. Quantas vezes não traçamos nossos sonhos sem colocar neles outros seres humanos? Quantas vezes não transferimos para os nossos próprios sonhos o nosso egoísmo, excluindo deles pessoas que nos são caras, que compartilham conosco de toda uma vida? Como seres humanos somos providos de uma coisa chamada “consciência”. E esta consciência não se forma de maneira individual, mas, pelo contrário, se forma em interação com outros seres humanos em um processo coletivo, por meio de nossas ações no mundo, mediadas por relações sociais. É impossível, para um ser humano “normal” construir sua vida, seus sonhos, seus projetos de mundo e de vida na mediocridade da individualidade. O homem é um ser social por excelência! Mas, muitas vezes nos esquecemos deste detalhe. Em grande parte das vezes, só nos lembramos disso em momentos de desgraça, de catástrofes, de desespero.

Essas catástrofes e fatalidades do cotidiano servem, perfeitamente, para nos lembrarmos que a vida deve ser degustada a cada minuto como se ele fosse o último. Deve ser apreciada como se fosse um vinho de safra especial, deve ser saboreada sentindo todas as emoções em cada gole. É importante dizermos às pessoas que amamos [e às que odiamos] tudo que temos para dizer, pois, estamos sujeitos a, repentinamente, não possuirmos mais a oportunidade para tal, pois [como dizem os mais velhos], a vida não passa de um sopro.

Voltando às catástrofes repentinas devemos refletir: quantas pessoas soterradas não tinham diversos projetos de vida? Quantos não nutriam dentro de si, sonhos maravilhosos que poderiam ter sido colocados em prática? Mas, talvez por alguma razão banal, não tenham sido deixados de lado? Meus (minhas) caros (as) leitores (as)! Na vida, grande parte das oportunidades não se repete! Por isso, devemos [sempre] aproveitá-las da melhor forma possível. É tão simples dar um telefonema. É tão simples dar um sorriso para um amigo, para um parente, para um vizinho ou até mesmo para uma pessoa que não conhecemos. É tão simples perdoar! Pense sobre isto, pois, de repente você pode não ter nunca mais a oportunidade para isso. Talvez venhamos a sucumbir sem jamais ter saboreado o doce perfume do perdão.  Devemos ter a percepção que mesmo que não sejamos sepultados por uma fatalidade, podemos ser sepultados em nossa própria mediocridade, em nosso próprio egoísmo. A única condição necessária para que morramos é que estejamos vivos! Lembre-se sempre disso!

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

As grandes catástrofes "naturais" e a solidariedade (?) humana

Prof. Valter Machado da Fonseca (2012)
Valter Machado da Fonseca
 
Outro dia, a TV mostrou a vida e o cotidiano dos haitianos que atravessam a fronteira na região de Rondônia (RO) para se refugiar no Brasil. Ela deu destaque à precariedade das condições de moradia, alimentação, saúde e higiene pelas quais passam estes refugiados na cidade de Porto Velho, capital de Rondônia. Ficam amontoados em abrigos e albergues precários, em locais sem nenhum saneamento básico e com alimentação altamente deficitária. A mídia me chamou a atenção sobre o descaso, o sensacionalismo, e a falta de seriedade com que são tratadas as vítimas das grandes catástrofes “naturais”, não somente em nosso país, mas em todas as partes do mundo.
 
Os haitianos que se amontoam clandestinamente em Rondônia são os mesmos que em 2010 foram vitimados pelas consequências do grande evento sísmico (terremoto) que assolou o Haiti naquele ano. Todos devem se lembrar que aquela catástrofe deixou atônita e mobilizou toda a opinião pública mundial. Campanhas fabulosas de solidariedade foram desencadeadas em diversas regiões do planeta em prol da população do Haiti. Hoje, menos de dois anos após a tragédia, a população daquele país já caiu no esquecimento. As tais campanhas de solidariedade, ao invés de alavancar ações que visassem pelo menos a minimizar a situação de intensa miséria daquele povo, só serviu para criar o sensacionalismo midiático visando puramente à venda de notícias, enriquecendo alguns poucos em detrimento de toda a população extremamente carente de um país.
 
No Brasil, a situação é a mesma quando se tratam das vítimas das grandes catástrofes climáticas que assolam diversas áreas de nosso imenso território. Foi assim com a catástrofe recente de Santa Catarina, com a tragédia climática da região serrana do Rio de janeiro em 2011 e vai ser assim com as vitimas da histórica inundação que hoje deixa debaixo d’água inúmeras cidades dos estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo.
 
Há pouco tempo a mídia mostrou a situação de penúria dos vitimados de Santa Catarina, um ano após a tragédia. Poucos dias atrás a mesma imprensa destacou, inclusive mostrando fortes imagens, a situação dos sobreviventes do desastre climático da região serrana do Rio de Janeiro, que ainda não terminaram de contar seus mortos. O mais interessante é que todas essas tragédias foram marcadas por gigantescas campanhas de solidariedade, com arrecadação de agasalhos, alimentos e remédios [principalmente por parte da população] em resposta ao imenso sensacionalismo dado pelas fontes midiáticas, para, logo em seguida, cair no esquecimento. Não estou dizendo que as campanhas não devam ser feitas, mas, o que quero enfatizar é que as vítimas não necessitam de auxílio somente na época em que ocorrem as catástrofes, mas, sobretudo, necessitam de amparo e apoio para reconstruírem suas vidas, o que demanda a continuidade das ações, mesmo após os momentos mais agudos.
 
Por outro lado assistimos, em todos esses episódios de inigualável tristeza, que marcam a história de nosso povo, a demagogia e o descaso com que nossos governantes tratam tais acontecimentos. Esse descaso ocorre tanto em nível nacional, quanto estadual e municipal. Verificamos o desvio de recursos financeiros, originalmente destinados ao amparo às vítimas, visando favorecer as benesses políticas de ministros, senadores, deputados, prefeitos e, por incrível que pareça, até de vereadores. Estes senhores se aproveitam, vergonhosamente, da desgraça dos setores mais carentes da população, para engordar seus já abarrotados bolsos e fortalecer seus currais eleitorais. Caros (as) Leitores (as)! É chegado o momento de nosso povo dar um basta nesta corrupção grotesca e vergonhosa que assola nosso país. Não dá mais para conviver com este tipo de situação, como se nada tivesse ocorrendo. O povo brasileiro precisa exigir a verdadeira ética de nossos dirigentes. Ética que a grande maioria dos politiqueiros de plantão repete nos palanques eleitorais sem saber sequer seu real significado. Pobres coitados dos haitianos que querem, a todo custo, fugir da miséria e sofrimento de seu país, refugiando-se no Brasil. Mal sabem eles que o verdadeiro Haiti é aqui!     

domingo, 8 de janeiro de 2012

MG, RJ e ES debaixo d’água: de quem é a culpa?

Fonte: matutando.com (2012)

Valter Machado da Fonseca*

Esta não é a primeira vez que trato desta temática. Escrevi sobre o tema quando ocorreu a série de enchentes e inundações em Uberaba, quando da catástrofe na região serrana no Estado do Rio de Janeiro e em diversas outras ocasiões. Portanto, não se trata de uma abordagem nova, mas que se faz profundamente necessária, uma vez que os organismos do poder publico brasileiro, nos três níveis (municipal, estadual e nacional) nunca se preocuparam com o planejamento urbano, agindo como “apagadores de incêndio” na época das ocorrências dos grandes eventos climáticos que atingem as principais cidades brasileiras. À época das grandes catástrofes, as instituições e autoridades agem pontualmente, gastando verdadeiras fortunas para sanar os males causados pelos estragos. Nunca são colocadas em pauta políticas e ações preventivas visando a minimizar ou mesmo evitar tais danos ao ambiente e às populações. Isto sem contar a parcela de políticos que sobrevivem da desgraça humana, desviando recursos originalmente destinados ao socorro às vítimas das enchentes e inundações em várias localidades do nosso país. É a chamada “Indústria das enchentes”.
O planejamento urbano é uma questão chave para o enfrentamento da problemática ligada às alterações climáticas que afetam os centros urbanos em todo o planeta. Com o advento do capitalismo, houve um deslocamento gigantesco de grandes contingentes humanos (migração) do campo (espaço agrário) em direção aos centros urbanos. Hoje, a ampla maioria da população mundial se concentra no espaço urbano (cidades). Desde o início deste deslocamento, a questão do planejamento urbano se tornou crucial e foi colocada na ordem do dia, visando ao enfrentamento dos danos e consequências provocados pala intensa concentração de gigantescas parcelas da população no espaço urbano. A ausência de planejamento aliada à grande desigualdade social (uma das principais mazelas do sistema capitalista) foi uma das principais causadoras da dicotomia centro-periferias pobres nas médias e grandes cidades brasileiras e o surgimento dos primeiros núcleos de favelas. Com o aumento e valorização das áreas planas urbanas, grandes contingentes das populações carentes são empurrados para os espaços não habitáveis, áreas insalubres e de risco do entorno das cidades. Iniciou-se assim o perverso processo de “segregação socioespacial”, aprofundando ainda mais o imenso abismo que separa a população rica das parcelas mais miseráveis de seres humanos que habitam os labirintos das favelas e das periferias pobres dos centros urbanos.
Os fatores elencados acima se agravam ainda mais quando combinados com ações extremamente incorretas e equivocadas ligadas à ocupação de diversas porções do ambiente urbano como as encostas de morros, os vales de rios, vertentes, topos de morros e montanhas. Nesta virada dos anos 2011/2012 assistimos atônitos às maiores enchentes e inundações que encobriram parcelas consideráveis dos estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo. Estes eventos, além de ceifar as vidas de dezenas de pessoas, deixaram milhares de desabrigados, trazendo doenças, além de danos materiais de toda sorte.
Se observarmos com mais atenção estas catástrofes climáticas, veremos que sua origem vincula-se à canalização de corpos d’água, ocupação de vales de rios, riachos e córregos que cortam as cidades, construções em vertentes e encostas de morros. Aí, convém levantarmos a indagação: quem são os principais responsáveis por estas catástrofes? Será que a culpa é da natureza? Não! Absolutamente não! A culpa é dos seres humanos e, em particular dos responsáveis pela implantação de políticas urbanas. Pela elaboração de planos diretores das cidades e pelo uso, gestão e manejo incorretos do solo urbano.
Na verdade, muito se fala em defesa do ambiente, em desenvolvimento sustentável (ou “insustentável”), em planejamento urbano/industrial. Mas, na verdade estes discursos não saem do papel, são artificiais, fictícios e fantasiosos. Geralmente vêm à tona nos momentos de ocorrência das grandes catástrofes ou em períodos que antecedem os processos eleitorais. Enquanto o planejamento urbano/industrial não for levado efetivamente a sério, milhares de pessoas continuarão sendo soterradas em suas próprias casas, enquanto algumas poucas dezenas continuarão se enriquecendo à custa da desgraça humana, especialmente dos setores mais carentes e marginalizados das populações dos centros urbanos brasileiros.   
 

* Escritor. Geógrafo, mestre e doutorando pela UFU. Pesquisador e docente da Universidade de Uberaba (Uniube). machado04fonseca@gmail.com

sábado, 31 de dezembro de 2011

Um excelente ano de 2012 para todos os seguidores do NTV

Caros (as) leitores (as)!

Quero aproveitar esta última postagem do ano para desejar a todos que acompanham o "NATUREZA, TERRA E VIDA" um execelente ano de 2012 que se inicia.  Esta data de reveillon é propícia para realizarmos um balanço de vida, de projetos de mundo, individuais e, sobretudo, de projetos coletivos. É propício, sobretudo, para avaliarmos nossos erros e acertos, procurando, sempre, tirar dos erros novas lições para que possamos reinventar nossos projetos individuais e coletivos. 

Na grande maioria das vezes, aprendemos muito mais com nossos equívocos que com nossos acertos. Mas também os acertos devem ser revistos, revisitados, objetivando aperfeioá-los para que tenham cada vez mais significação para nós mesmos e para o "outro", pois não vivemos numa sociedade de "nós mesmos", mas em uma sociedade cuja parceria é estabelecida entre nossas vontades, desejos, anseios e projetos, como as paticularidades, singularidades, desejos e projetos do "outro". É também nas diferenças que construímos os mais significativos projetos coletivos. 

Que neste ano de 2012 que nos bate à porta, estejamos preparados praa construção de outros modelos que levem a uma sociedade que transforme nós mesmos em seres mais tolerantes, mais participativos, mais solidários, enfim que nos transformem em seres mais compreensivos e humanos.
Um grande abraço a todos (as) e  um excelente 2012!

Valter Machado da Fonseca. 

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Retrospectiva: crise econômica mundial, “marca registrada” deste início de século

Prof. Valter Machado da Fonseca (2011)

Valter Machado da Fonseca*
O final do século XX e este início do XXI têm como marca maior a grande crise econômica do sistema capitalista em âmbito global. Esta crise que teve um grande surto em 2008 volta agora com força maior, provocando uma enorme avalanche financeira no coração do capitalismo: A Europa e os EUA.

Desde a década de 1929, com o Crack da Bolsa de Nova York, que abalou o mundo, inclusive o Brasil, que o capital vem mostrando sua sequência histórica de crises, desestabilizando mercados, quebrando empresas, desestruturando nações, falindo indústrias e industriais. Um aspecto comum que caracterizou todas as crises financeiras do capital em tempos pretéritos foi suas fases de crises cíclicas. Ou seja, elas vinham à tona, de tempos em tempos, mas, o capital conseguia elaborar e reelaborar mecanismos internos para sua superação, conseguindo, dessa forma, melhorar a eficiência de suas estruturas internas. Assim, ele saía das crises cíclicas com as forças renovadas, criando novos mecanismos reguladores de suas estruturas internas, o que lhe possibilitava maior força para se expandir e se reproduzir e, com isso, aumentar com eficácia sua mais valia (lucro). Mas, um dado real para o qual devemos nos atentar é que o capital se reinventava, superava suas crises, em grande parte, em detrimento de necessidades primárias ou mesmo secundárias da população, ou seja, do mercado consumidor. Isto significa dizer que o capital superava suas crises em função de necessidades reais da população mundial, visando, em última instância, a melhorar as condições e o padrão de vida dos povos, ou, pelo menos de uma parcela deles.

O que diferencia substancialmente as crises econômicas da atualidade das que ocorreram em tempos passados, é a incapacidade de o capital se reinventar. Isto é, a crise econômica dos tempos presentes é fruto do próprio desgaste dos mecanismos internos do capital, de suas estruturas internas. É o que o pensador e sociólogo húngaro Ístvan Mészáros define como “Crise estrutural do capital”. Na verdade, a crise estrutural do capital se liga diretamente ao deslocamento dos novos objetivos da produção material que rege a economia dos tempos presentes. O capital já deixou de gerar produtos (mercadorias) que estejam diretamente ligados às necessidades e desejos reais das populações (mercados consumidores).

Hoje, ao invés de se criar produtos para atender às necessidades humanas, primeiro se “inventam” novas mercadorias e produtos e depois se criam artificialmente os desejos e as necessidades. Então, se criam produtos supérfluos e descartáveis para o atendimento de desejos e necessidades ilusórias, artificiais e fictícias. Estes aspectos são frutos da denominada “Globalização Econômica” ou “Globalização Neoliberal ou Perversa” como diria o grande e saudoso geógrafo, Prof. Milton Santos. Diante da incapacidade do capital de gerar sua produção voltada para as necessidades da humanidade é que surge com todo o vigor a crise estrutural ou crise dos mecanismos internos do sistema capitalista. Ou seja, o capital não é mais capaz de se reinventar para a superação de suas crises econômicas sucessivas. Por isso, vemos a  grande crise global atingir, em cheio, o coração dos gigantes capitalistas: Europa e EUA (2008) e agora em 2010/2011 uma crise mais generalizada que atingiu novamente os EUA e depois a Europa (Grécia, Irlanda, Itália, França, Espanha, Inglaterra). Diante disso, a crise econômica com certeza percorrerá todo o planeta, todas as regiões, todos os países. O que se coloca diante da humanidade é o grande desafio de se criar novos modelos de economia e de sociedade. Só assim, a humanidade será capaz de superar a gigantesca crise estrutural do capital. Caso contrário, a humanidade sucumbirá de uma vez por todas, mergulhando definitivamente na barbárie, ou seja, num modelo de sociedade totalmente antropofágica e autofágica, cujos sintomas são perfeitamente visíveis num futuro totalmente incerto e de horizonte curtíssimo, onde o homem venha se transformar, definitivamente, em mercadoria última.        



* Escritor. Geógrafo, Mestre e doutorando pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU). Pesquisador e professor da Universidade de Uberaba (Uniube). machado04fonseca@gmail.com  

sábado, 24 de dezembro de 2011

Qual o significado das festas de final de ano?

Preconceito e intolerância. Fonte: diariodehistoriador.blogspot.com (2011)

Valter Machado da Fonseca*
Há tempos venho tentando compreender o real significado das confraternizações de final de ano em todo o mundo. Os tempos modernos são marcados por intensos conflitos de toda ordem: políticos, econômicos, sociais, étnicos, religiosos, dentre vários outros. Assistimos, nestes tempos, a crimes e enfrentamentos bárbaros, onde os valores humanos são deixados para o último plano. São milhares de assassinatos, latrocínios, estupros, crimes hediondos ligados à intolerância étnica e religiosa, à homofobia, crimes monstruosos contra mulheres e crianças, enfim, atrocidades que, na grande maioria das vezes, nos deixam, petrificados, horrorizados. Que tempos são esses afinal de contas? O que justifica tanta insanidade? Por que a mídia se delicia tanto ao noticiar tais monstruosidades?
Outras vezes presenciamos barbaridades sem nenhuma justificativa; matam-se por dez reais, por uma dose de aguardente. Aí indagamos: o que move a humanidade nestes tempos presentes? Qual ou quais os projetos de vida movem o ser humano? Será que existe nos tempos modernos algum projeto de vida, de mundo, de felicidade humana? Verificamos que existe uma forte indústria midiática que vive à custa da mediocridade humana, sobrevive das migalhas que caem da mesa da desgraça humana. Se pensarmos com mais profundidade, notaremos que o sistema capitalista sobrevive, nos tempos atuais, da miséria e da desgraça que toma conta da humanidade. Verificamos que o sistema que nasceu da promessa da felicidade humana [“liberdade, igualdade e fraternidade”], chegou a tal estado de degeneração que, nos tempos modernos sobrevive das mazelas resultantes da podridão da humanidade; indústria da fome, indústria de armamentos, da seca, do câncer, da AIDS, do narcotráfico, dos agrotóxicos, dos pesticidas, dos transgênicos, dos sequestros, enfim, para cada parcela da desgraça humana, se liga um determinado grupo que se enriquece.
Muitos devem perguntar; mas, por que é que esse cara tem que falar disso em plena época de festividades, de natal, do nascimento do “filho de Deus”? Eu digo meus (minhas) caros (as) Leitores (as)! É nessa época que toda a hipocrisia humana aflora com toda sua intensidade. Nessa época os piores inimigos dão as mãos, se abraçam em nome da fé, da solidariedade. Contudo, passado este momento se degolam com voracidade ainda maior. Nessa época em que milhares de pessoas se reúnem em torno de fartas mesas  quilométricas, nossos irmãos morrem de fome no continente africano. Nessa época de “fraternidade extrema”, comunidades inteiras padecem de sofrimento por doenças espalhadas pelo projeto humano de sociedade, milhares de pessoas tentam, em vão, sobreviver muito abaixo da linha de pobreza.
Nessa época, a mesma mídia que enfatiza as piores atrocidades para vender suas notícias, que se utiliza durante todo o ano da desgraça humana para aumentar seus já gordos lucros, muda seu discurso e passa a ser a grande precursora da solidariedade e fraternidade humanas. É justamente nessa época que vemos os grandes grupos econômicos fazerem caridade com o dinheiro público, que assistimos os políticos mais corruptos distribuírem o sopão para os menos favorecidos [de olhos nos votos da próxima eleição]. Pois bem! Caros (as) Leitores (as)! Deixo aqui minha reflexão final: em nome de qual “Deus” esses senhores pregam a tal solidariedade? Em nome de qual “Deus” esses senhores distribuem mensagens de felicidade? De qual “amor”, de qual “justiça”, de qual “Fé” se falam nas festividades de final de ano? Enfim, para onde caminha a humanidade neste limiar de século XXI? Com certeza, caminha em direção a um novo modelo de sociedade: uma sociedade pautada nas mazelas da barbárie, uma sociedade na qual cada ser da nossa espécie se transforma em sucata, em dejeto humano, uma sociedade autofágica em toda a plenitude da palavra.


* Escritor. Geógrafo, Mestre e doutorando pela Universidade Federal de Uberlândia. Pesquisador e professor da Universidade de Uberaba (Uniube).

domingo, 11 de dezembro de 2011

Curso de Geologia e Paleontologia de Peirópolis vai virar livro

Prof. Valter Machado da Fonseca (2011)
APOSTILA 1

APOSTILA 2

APOSTILA 3


APOSTILA 4
 
Por NTV

O Professor MS. Valter Machado da Fonseca, Geógrafo, mestre e  doutorando pela Universidade Federal de Uberlândia/MG – (UFU) e docente da Universidade de Uberaba (UNIUBE), idealizou e ministrou um curso de extensão em Geologia e Paleontologia, envolvendo os aspectos da bacia fossilífera do Sítio Paleontológico de Peirópolis, bairro rural da cidade de Uberaba, estado de Minas Gerais. O evento foi uma realização do curso de Engenharia Ambiental da Universidade de Uberaba, com o apoio fundamental do seu diretor Prof. Dr. André Fernandes. O curso recebeu ainda o importante apoio do Programa Institucional de Atividades Complementares (PIAC/Uniube).

O curso foi intitulado “Analisar o presente para compreender o passado: um estudo geológico, paleontológico e paleoclimático do Sítio Paleontológico de Peirópolis – Uberaba/MG foi totalmente apostilado e, as apostilas foram elaboradas pelo Prof. Valter Machado da Fonseca e são frutos de intensas pesquisas, por ele realizadas sobre o assunto. O professor Valter Fonseca explica que a elaboração do material didático foi uma tarefa trabalhosa e complexa. Assim, a proposta não foi a de realizar apenas mais um curso na área de Geologia e Paleontologia, mas, tratou-se fundamentalmente, de se organizar um curso que busque elementos e aspectos inéditos, pois, a proposta visa à reconstituição dos aspectos paleoclimáticos e paleogeográficos da região de Peirópolis da época do Cretáceo Superior (período entre 60 e 70 milhões de anos atrás). Realizar uma tarefa como esta, nos moldes a que o curso se propõe é, de fato, um desafio a ser superado. E, esta superação só foi possível graças a uma intensa e detalhada pesquisa bibliográfica dos mais diferentes trabalhos produzidos pela literatura científica sobre as atividades desenvolvidas no Centro Dr. Llewellyn Ivor Price. Isto demandou um dispendioso tempo de pesquisas meticulosas e arduamente trabalhadas.
O Prof. Valter Fonseca destaca a importância do trabalho árduo e profícuo do Professor Luís Carlos Borges Ribeiro e toda sua equipe. Afirma que se não fosse os trabalhos de Ribeiro e sua equipe, talvez o Complexo Científico de Peirópolis nem existisse e que o local provavelmente seria explorado apenas comercialmente, do ponto de vista simplesmente turístico. Ele reafirma que nada possui contra a exploração turística do local, mas declara que isto pode ser feito aliado à exploração do grande acervo científico da localidade. Acredita que desprezar o grande potencial de indícios e informações científicas seria até um crime contra a humanidade e a comunidade científica em geral.
 O Prof. Valter Machado se surpreendeu com o material de pesquisa que deu origem às apostilas do curso. O conjunto de quatro apostilas reuniu pesquisas e textos inéditos (do próprio Prof. Valter) de temas que foi da Geologia Geral, passando pela Paleontologia a elementos de Astronomia, Paleogeografia e Paleoclimatologia. Na verdade, a tentativa de reconstituição do paleoambiente de Peirópolis no Cretáceo Superior, acabou por produzir um farto e inédito material. Diante disso, o Prof. Valter resolveu organizar todo esse material em um livro com quatro capítulos, seguindo a mesma sequência dos assuntos e temas tratados no curso. A publicação deste livro está sendo negociada junto à editora da Universidade Federal de Uberlândia (EDUFU) e tem previsão de lançamento para o início do ano de 2012 (primeiro semestre). Além da EDUFU, existem mais três editoras (todas de São Paulo) interessadas em publicar a obra.

Por fim, o professor afirma que a produção deste livro acerca dos aspectos da Geologia Geral e Regional, bem como de aspectos da Paleontologia, Paleoclimatologia e Paleogeografia da região de Peirópolis, além de se constituir em importante colaboração para a comunidade científica, em especial a parcela que se interessa pelo estudo dessa temática, é, sobretudo, uma forma de homenagear a todos que lutaram (e lutam) pela construção e preservação do Complexo Científico do Sítio Paleontológico de Peirópolis, a exemplo do Prof. Luís Carlos Borges Ribeiro e toda sua equipe.