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sexta-feira, 3 de novembro de 2017

MARX NA OBRA DE ÍSTVAN MÉSZÁROS

Foto: Prof. Valter Machado da Fonseca (2014)



Prof. Dr. Valter Machado Fonseca
Ístvan Mészáros, filósofo e sociólogo húngaro, talvez seja um dos maiores expoentes do pensamento marxiano do final do século XX e início do XXI. Ele tomou para si a grande tarefa assumida por Georg Lukács, a recontextualização dos estudos de Karl Marx para os tempos presentes, para o século XXI. E o fez com grande maestria. A obra “Para Além do Capital” foi considerada por parcela extremamente significativa e séria da crítica literária mundial dos campos da filosofia, sociologia e da economia política, como a “obra do século”.
Embora tenha falecido recentemente, Mészáros nos deixa um acervo riquíssimo em inúmeras obras que nos fornecem importantes reflexões sobre a obra e o pensamento de Marx e Engels. Ao afirmar que a teoria de Marx acerca das crises cíclicas do capital está superada, uma vez que o capital entra agora em crise estrutural, isto é, as engrenagens sociometabólicas das forças reprodutivas do capital emperram toda a antiga capacidade que ele (o capital) teve um dia de produzir bens e mercadorias para atender às necessidades primárias e secundárias da humanidade, estão em fase de estagnação e, mais que isso, em fase de corrosão interna, Mészáros inaugura um novo campo de formulações sobre os estudos de Marx, o que nos permite a ampliação das reflexões sobre a crise estrutural do capital, bem como as formas de enfrentamento às próprias forças destrutivas do capital.
Então, os estudos de Mészáros nos permitem novas reflexões, novas abordagens e novas proposições nos marcos da construção do socialismo, como única forma de superação das formas de dominação capitalistas. Os estudos de Mészáros também nos abrem importantes reflexões para fazermos a necessária crítica às experiências com os Estados operários burocratizados, como os do Leste Europeu, a ex-URSS e Cuba, além de nos municiar com fortes argumentos contra a política de colaboração de classes dos governos de “Frente Popular” em todo o mundo.
Então, para compreendermos o quadro de avanços do Liberalismo com “nova” roupagem (o neoliberalismo) em todo o globo, bem como o refluxo do movimento e das conquistas da classe trabalhadora diante das forças destrutivas do capital, presentes na ofensiva neoliberal, a obra de Mészáros nos fornece importantes aspectos, novos ângulos para a recontextualização e reafirmação da atualidade do pensamento de Karl Marx nos tempos d’agora.
Então, o grande pensador húngaro nos permite reafirmar que a única alternativa viável para a emancipação dos oprimidos e marginalizados de todo o planeta continua sendo o socialismo, acolhendo os acertos e descartando os erros grosseiros das experiências históricas recentes nos Estados operários burocratizados. É preciso ver e olhar para a história recente da luta de classes mundial para conseguirmos vislumbrar os tempos que podem ser descortinados para além do capital.

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