Total de visualizações de página

sábado, 14 de abril de 2012

Engenharia Ambiental e Infraero propõem estudos no Aeroporto de Uberaba.

Foto: Aeroporto de Uberaba/MG                                    Fonte: infraero.gov.br
Foto: Painel destacando aeronaves no espaço mundial. Fonte: Arquvo V. M. da Fonseca (2012)

Foto: Vsita da plateia. Fonte: Arquivo Prof. Valter M. da Fonseca (2012)

Foto: Mesa diretora da palestra.       Fonte: Prof. Valter M. da Fonseca (2012)

Foto: vista da plateia.            Fonte: Arquivo Prof. Valter M. da Fonseca (2012)

Foto: Palestra João Itacir Gottfried Freitas. Fonte: Arquivo Prof. Valter M. da Fonseca (2012)

Foto: Palestra Dimas Nunes Teixeira.   Fonte: Arquivo Prof. Valter M. da Fonseca

Foto: Vista da plateia.         Fonte: Arquivo Prof. Valter M. da Fonseca (2012)

Valter Machado da Fonseca
O curso de Engenharia Ambiental da Universidade de Uberaba promoveu no dia 12 de abril de 2012 (quinta feira) uma importante palestra, que ocorreu às 19 horas no anfiteatro da Biblioteca da Uniube. A palestra, que teve como temática central “A relação meio ambiente e segurança no espaço aéreo dos aeroportos brasileiros”, foi ministrada por dois representantes da Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária – INFRAERO. O primeiro palestrante da noite foi o Superintendente da Infraero no aeroporto “Mario de Almeida Franco” da cidade de Uberaba, João Itacir Gottfried Freitas. Ele discorreu sobre o panorama geral da empresa, sua criação, seus objetivos, sua eficiência, sua organização em nível de país e sua responsabilidade com entidades mundiais do setor e, enfim, sua história no trabalho com a infraestrutura aeroportuária no Brasil. Enfatizou, ainda, o papel desempenhado pela empresa na prevenção e minimização dos riscos de acidentes no espaço aéreo brasileiro e os problemas enfrentados pela Infraero para o desenvolvimento dos trabalhos no aeroporto local.
O segundo palestrante da noite foi o gestor de segurança operacional do aeroporto “Mário de Almeida Franco” da cidade de Uberaba-MG, Dimas Nunes Teixeira. Teixeira completou a brilhante palestra de Itacir enfocando os conceitos de riscos e possibilidades de acidentes aeroportuários, enfatizando os principais problemas urbano-ambientais relacionados à ocorrência de acidentes aéreos. Ele mostrou gráficos estatísticos relacionados aos acidentes aeroportuários no Brasil e no mundo, destacando os problemas dos aeroportos de Guarulhos e Congonhas, que se destacam pelo grande volume de operações. Ele destacou que um dos principais riscos que ameaçam o espaço aéreo de todos os aeroportos do mundo é a presença de aves, em especial aquelas que voam em grande altitude, pois seus voos podem coincidir com as rotas de inúmeras aeronaves, constituindo-se, assim, num perigo real e constante para a aviação do Brasil e do mundo.
Por fim, ele destacou os problemas a serem enfrentados pelo aeroporto local, com vistas a alcançar um desenvolvimento da logística de infraestruturas, visando alcançar as metas de expansão do volume de voos e de fluxo de passageiros. Ambos os palestrantes destacaram a importância e a possibilidade real de se estabelecer uma parceria séria entre o curso de Engenharia Ambiental da Uniube e a Infraero em Uberaba, inclusive com a possibilidade concreta de oferta de estágios para os alunos da Engenharia Ambiental.
A palestra foi uma realização do Curso de Engenharia Ambiental da Uniube e organizada pelo Professor doutor André Teixeira Fernandes, gestor do curso e pelo Professor mestre e doutorando Valter Machado da Fonseca, docente do curso de Engenharia Ambiental da Universidade de Uberaba. O Prof. Valter Fonseca foi o mediador da palestra representando o curso e a Universidade de Uberaba.
Para ele, o evento cumpriu um objetivo importante e histórico, uma vez que abriu uma série de possibilidades de parcerias efetivas com uma empresa tão relevante como a Infraero. Ele destacou que um desdobramento da realização deste evento será colocado em execução imediata: a constituição de um grupo de iniciação científica composto por alunos e professores da Uniube, visando à pesquisa e análise diagnóstica completa dos problemas urbano-ambientais do entorno do aeroporto local.  

segunda-feira, 9 de abril de 2012

CONSUMISMO E ECOCÍDIO

Foto: Lixão (as sobras do consumismo)               Fonte: ponto.outraspalavras.net

Por Prof. Dr. Marçal Rogério Rizzo  

Aprendi que precisamos ser diretos quando almejamos reter a atenção do leitor. Dessa forma, temos que chocá-lo ou encantá-lo no início do artigo. Optei por chocá-lo, afirmando que o consumismo contribui diretamente para o ecocídio. Assim, se você é um consumista, um perdulário, você é um ecocida em potencial. A palavra “ecocida” pode não ecoar bem, mas reflita se você é ou não um destruidor de ecossistemas, ou seja, um exterminador do futuro.
Já é “lugar-comum” a afirmação de que a humanidade vem destruindo, depredando, poluindo e devastando em larga escala os recursos naturais não renováveis que são essenciais à vida. Essa é, todavia, uma declaração generalista e em parte equivocada, já que coloca todos os habitantes no mesmo balaio. Os norte-americanos, por exemplo, são extremamente consumistas e geram muito lixo. Já grande parte dos africanos mal consegue tirar a subsistência da natureza e gera pouco lixo.
Infelizmente, o capitalismo tem configurado o mundo de forma desigual, mas, mesmo assim, todos pagam pelos pecados materiais de poucos. Por outro lado, o meio ambiente não suportaria um nível de consumo elevado como o dos norte-americanos. O inegável é que o sistema treina as pessoas para serem consumistas e perdulárias. O objetivo do capitalismo é criar nas pessoas uma carência material eterna e um senso de competição do ter.
Nos dias de hoje, não basta apenas ter; é preciso ostentar os bens materiais como se fossem um troféu. Comprar inúmeros pares de sapato. Encher o closet de roupas.  Abastecer a geladeira e o armário da cozinha com produtos industrializados. A garagem deve ser grande e abrigar vários carros. Teoricamente, quem tem é bem-sucedido, é aquele que venceu na vida, ou seja, é um merecedor do que tem.
Para muitos, o ato da compra se tornou a busca da felicidade e, assim, se consumo, logo existo. O consumo demasiado pode existir para suprir um problema psíquico ou uma promessa de felicidade e de plenitude de sentimentos.
Há períodos, como em véspera de datas comemorativas – dias das crianças, dia dos namorados, natal, dia das mães e dos pais, entre outros –, em que as pessoas parecem ter saído do seu estado normal e ficado loucas. É uma cena que antecede ao fim do mundo, uma vez que invadem lojas, shopping centers e ruas de comércio popular para comprar. A imagem mais corriqueira é de pessoas transportando sacolas repletas de bugigangas e badulaques.
O fato é que somos reféns desse sistema draconiano que aprofunda a crise ambiental. Sem uma revisão crítica e racional do consumismo, que vem ganhando ares de algo comum e prazeroso, seguimos em alta velocidade em direção ao ecocídio.
Chegou a hora de os formadores de opinião se posicionarem em defesa da redução das desigualdades, do senso coletivo e, especialmente, da vida, ou seja, ser avessos ao consumismo, que vem ganhando força sobretudo nos países emergentes, como é o caso do Brasil. O consumismo não é a tabua de salvação da economia e da sociedade.

 Marçal Rogério Rizzo: Economista, professor da UFMS – campus de Três Lagoas: E-mail: marcalprofessor@yahoo.com.br

sábado, 7 de abril de 2012

O NOVO CÓDIGO FLORESTAL: A PEDAGOGIA DA IMPUNIDADE

Fonte: ilustraconto.blogspot.com

Por Yasmin Teodoro Gasparini e Cláudio Ribeiro Lopes

         O Novo Código Florestal foi aprovado ao final do ano de 2011, pelo Senado, com 59 votos a favor e 7 contra, no entanto, mesmo passando por esse trâmite de votação, tanto na Câmara quanto no Senado, esse código retornará para análise dos deputados federais, pois foi alterado pelos senadores. Caso não sofra modificações na Câmara, deverá seguir para sanção ou veto parcial ou total da presidente Dilma Rousseff. Se for rejeitado, o projeto do novo código florestal terá que reiniciar todo o percurso legislativo.
O Código tem como objetivo regulamentar a maneira como a terra pode ser explorada, determinando onde a vegetação nativa deve ser mantida e onde pode haver diferentes tipos de produção rural. Atualmente, o que está em vigor é o de 1965 e, por essa razão, houve a necessidade de elaborar um código que melhor se adeque à atual realidade brasileira.
A aprovação desse diploma normativo gerou discussões. A medida foi bem recebida por muitos produtores rurais, mas desagradou aos ambientalistas. Para determinados produtores, ela proporciona a oportunidade de sair da irregularidade, além de pressupor leis que irão favorecer esse setor. Já os ambientalistas defendem que esse código ficou pior do que aquele que está vigorando hoje. Segundo a organização não governamental ECOA, a efetivação é um retrocesso ao desenvolvimento ambiental e sustentável do País.
Alguns pontos geraram polêmica, como é o caso da suspensão de multas ambientais para desmatamentos que ocorreram antes de julho de 2008. Além disso, o Conselho Nacional de Meio Ambiente reduzirá para 50% a parcela da reserva legal, caso ela esteja com 65% do território ocupado por área indígena ou de conservação.
A área de preservação permanente (APP) é caracterizada como local frágil e nela se enquadram: beira de rios, topos de morros e encostas. Logo, essas regiões não devem ser desmatadas para evitar erosão, deslizamentos e destruições de nascentes, visto que astas precisam de uma camada vegetal para sua proteção e preservação. Não obstante, no código consta que alguns tipos de cultivos serão permitidos dentro das APP, como em encostas de até 45 graus e até 15 metros de faixa de mata para os cursos d’água mais estreitos. Mesmo que essa medida colabore com o setor produtivo, contribuindo para a expansão deste, ela fará, no entanto, que o objetivo principal do código, que é a garantia de proteção da natureza, seja violado.
A respeito dessas questões inscritas no Código, Márcio Astrini, responsável pela Campanha de Florestas do Greenpeace, afirmou: “O antipedagógico que é a anistia desmedida vai gerar uma circunstância de impunidade do campo”. Dessa forma, é fácil perceber a indignação dos ambientalistas em relação ao novo texto aprovado, já que este, de acordo eles, não prioriza o próprio meio ambiente em questão; ao contrário, traz lacunas que estimulam ainda mais o desmatamento e não a preservação.
Além disso, um ponto nevrálgico parece estar sendo esquecido pelo legislador e diz respeito ao princípio da publicidade. Toda norma “oferecida” à sociedade em geral, deve ser amplamente divulgada. As anistias, perdões, afrouxamentos na proteção jurídica de qualquer bem devem estar sempre alicerçadas em sólidos argumentos, pesquisas científicas e contar com uma aceitação comunitária bastante ampla. Pois bem, o texto do novo Código Florestal padece de vícios insanáveis, entre os quais o “processo legislativo”: a sociedade, como um todo, foi deixada à margem das discussões, limitando-se os parlamentares a manter o tema enclausurado com o fito de evitar confronto significativo com a opinião pública. Não fosse o papel intransigente de determinados ambientalistas e a força das redes sociais certamente, a bancada ruralista, muito interessada em preservar seus interesses imediatos, já teria obtido o êxito final no que se pode denominar de “trem da alegria e da impunidade ambientais”.
Em face das controvérsias geradas pelo conteúdo relatado no texto do novo Código Florestal até então aprovado nas casas de leis, é de valia ressaltar que, apesar dos conflitos o que deve ser levado em consideração não são apenas as mudanças que ocorrerão, mas também – e sobretudo – se medidas como essas manter consigo a capacidade para conscientizar a população de que o ambiente clama por  proteção, porque o ser humano também se encontra nessa relação de interdependência. Para que realmente se concretize esse amparo, isto é, a efetividade da tutela jurídica ambiental no que se refere ao patrimônio florestal brasileiro, não podemos, entretanto, limitarmo-nos apenas às normas formuladas para melhor contribuir para a sobrevivência de todos; é preciso agir, ainda que isso implique contrariar determinados interesses que colidem contra o bem maior da sociedade.

Yasmin Teodoro Gasparini: Acadêmica do curso de Direito da UFMS – Campus de Três Lagoas. E-mail: yasmin_gasparini@hotmail.com

Cláudio Ribeiro Lopes: Professor Mestre do curso de Direito da UFMS – Campus de Três Lagoas. E-mail: clopes@stetnet.com.br

terça-feira, 3 de abril de 2012

CHICO ANYSIO: AS MIL E UMA FACES DE UM GÊNIO

Foto: Personagem Prof. Raimundo.               Fonte: onordeste.com

Valter Machado da Fonseca*
Para falar de Chico Anízio é preciso, em primeiro lugar perceber a genialidade de uma vastíssima obra, que vai do erudito ao popular. É preciso ter sensibilidade para perceber as diferentes faces do povo brasileiro, as entrelinhas de uma obra que percorre todas as vias e todas as tramas da vida de nosso país. Chico conseguiu percorrer, com maestria, todos os labirintos e os bastidores da vida política de nosso país. Por intermédio de uma crítica direta, muitas vezes até sarcástica, conseguiu tirar um “sarro” dos generais nos tempos de chumbo, por meio da ironia direta da “Salomé”.
Podemos dizer que Chico, às vezes com um humor ácido, outras vezes com nostalgia, romantismo e ironia, soube discutir como ninguém as questões políticas do país e os principais problemas de nosso povo. Foi dono de um humor que realçava, às vezes em um único personagem, todas as nuances culturais do povo brasileiro. Sabia, como ninguém, escavar a realidade cruel das vidas das diversas “gentes” desse Brasil. Seu humor, muito longe da superficialidade, ia fundo, embora com uma linguagem captada por todos, nas questões mais complexas do drama e da trama da vida de diversos setores da população do país. Era genial, na mais completa extensão da palavra!
Atuando, beirava a perfeição na personificação de suas criações. Seus personagens eram reais, tinham sensibilidade extrema, riam, sentiam raiva, ridicularizavam, tiravam “sarro” da vida e dos homens, amavam e eram amados. O conjunto de sua obra conseguiu reconstruir na totalidade a memória e a identidade de nossa gente. Soube representar, com harmonia e perfeição, o povo do Nordeste, os miseráveis e mendigos, a juventude, as tendências musicais, a corrupção política e econômica, a nostalgia, o homem do campo, a ficção formatada de realidade, enfim, construiu efetivamente, as milhares de faces que fazem o “todo” da identidade do povo de nosso Brasil. Sua obra reflete as angústias, as alegrias, o descontentamento, a linguagem, os simbolismos e a essência de nossa cultura. Isto fica muito claro nos seus personagens como o Prof. Raimundo, o Pantaleão, o Jovem, Azambuja, Salomé, Bento Carneiro, Roberval Taylor, “Seu Popó”, Justo Veríssimo, Alberto Roberto, Bozó, Coalhada, Gastão, Haroldo, Nazareno, Painho, Véio Zuza, Profeta, dentre inúmeros outros.
Podemos afirmar, sem medo de errar, que Chico Anízio reinventou o humor com uma fórmula nunca dantes experimentada. Diante disso, o humor brasileiro passou a se constituir de duas fases distintas, uma antes do Chico e outra depois dele. Sua forma irreverente de fazer humor influenciou e vai continuar influenciando inúmeras gerações [de crianças a adultos]. Sua marca registrada mostra uma improvisação esplendorosa, marca indelével que somente pode ser constatada nas “tiradas” dos grandes gênios da humanidade.
Por fim, a obra de nosso querido Chico é de uma riqueza incalculável e inestimável que com certeza, jamais será esquecida pelo povo brasileiro. Com toda a certeza, a nossa telinha ficará mais sem graça e mais triste, pois existirá, sempre, uma eterna lacuna a ser preenchida no humor brasileiro e mundial. Obrigado “grande” Chico Anízio! Obrigado por dar, de graça, um pouco de alegria para o nosso povo tão sofrido!


* Escritor. Geógrafo, mestre e doutorando pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU). Pesquisador e professor da Universidade de Uberaba (Uniube). machado04fonseca@gmail.com

quinta-feira, 29 de março de 2012

REPENSANDO O PENSAMENTO!

Fonte: memoriasdaliravelha.blogspot.com

Valter Machado da Fonseca*
O que é o ato de pensar? O que é o ato de pensar senão a prática de dialogar conosco mesmos? Pensar significa realizar uma introspecção dentro de nossos próprios devaneios, em nossa própria angústia. Pensar talvez seja remexer em nossos sentimentos, em nossas emoções mais íntimas, mais profundas. Pensar talvez seja a recusa, insistente, persistente de aceitar as incongruências, o óbvio, a verdade mentirosa da realidade profana do cotidiano. Pensar talvez seja a ousadia de dizer um retumbante, um sonoro “não” para nossas próprias verdades consagradas universalmente ao longo da história humana em sua efêmera existência.
Pois bem! Meus (minhas) caros (as) leitores (as)! Definir o ato de pensar talvez seja uma tarefa das mais penosas. Talvez, ao tentar defini-lo estejamos de fato desconstruindo o próprio pensamento. Certa vez, um amigo me disse que o ato de pensar talvez seja uma maneira suave e dissimulada, até mesmo covarde de negar nossa própria essência enquanto seres humanos inacabados, imperfeitos. Que talvez este ato seja uma maneira discreta de desconstruir a nós mesmos. Talvez seja uma forma, uma expressão consciente de um processo inconsciente. Um processo interno de tentar falar de nosso estágio de incompletude humana, sem que seja preciso dizer as palavras, sem que seja preciso se submeter ao olhar e ao julgamento alheio.
Pensar, meus camaradas! Talvez seja tirar um “sarro” silencioso, escondido, de nossa própria imperfeição. Imperfeição que a prepotência humana acredita ser alguma forma de supremacia de nossa espécie sobre os demais seres vivos, tanto da Terra como de outros planetas e outras galáxias. Aliás, o ser humano tem a hipocrisia, a prepotência “suprema” de se achar superior à sua própria espécie. Ele tem a ousadia de, em seu completo estado de inacabamento, se achar um individuo pronto, acabado, irrefutável, definitivo.
Quando repensamos o nosso “pensar”, chegamos à dolorosa conclusão de nossa condição de incompletude. Principalmente ao constatar que atacamos nossa própria espécie, matamos outros indivíduos, ceifando-lhes impiedosamente a vida. E fazemos isso, covardemente, em troca de que? De nada, absolutamente nada! Muitas das vezes [para não dizer a maioria delas] em troca de um pedaço medíocre de papel que chamamos de dinheiro. Será que esta é uma atitude de quem realmente pensa? Se isto é fruto do pensamento, talvez seja prudente que abominemos o próprio pensamento.
Quando levantamos, pela manhã, pensamos o que faremos naquele dia. Pensamos no trabalho, cuja finalidade máxima é ganhar dinheiro. Ganhar dinheiro para que? Para comprarmos coisas, a maioria delas inúteis. Mas, o nosso pensamento ordena que compremos. É preciso comprar para fazer o dinheiro [papel, virtual ou não] circular e gerar mais dinheiro. E, para que gerar mais dinheiro? É preciso gerar mais dinheiro para enriquecer alguém, que em 99,9 % das vezes não somos nós. Mas, o nosso pensamento insiste que compremos. Meu deus! Nosso pensamento nos ordena que consumamos produtos, em sua maioria inúteis, descartáveis. Mas a ordem é comprar para enriquecer alguém e, esse alguém não somos nós. Afinal, quem manda em nós?
Assim, meus caros amigos, é preciso tomar cuidado com nossos pensamentos! É necessário que saiamos da mediocridade de nos escondermos dentro de nós mesmos. É urgente que abandonemos a comodidade de nossa intimidade, em detrimento de interpretarmos a realidade concreta do mundo, das coisas do mundo. Como disse o “velho” Marx para os filósofos alemães: vocês pensaram o mundo, agora cabe a nós transformá-lo. É preciso que abandonemos o campo das ideias e do pensamento para intervir em nossa própria realidade, caso contrário, correremos o sério risco de atingirmos o estágio de pensar que realmente somos algo que jamais chegaremos a ser! 


* Escritor. Geógrafo, mestre e doutorando pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU). Pesquisador e professor da Universidade de Uberaba (Uniube). machado04fonseca@gmail.com

quarta-feira, 28 de março de 2012

Grupo permanente de pesquisas será implantado em Peirópolis/MG

Foto: Paisagem natural de Peirópolis/MG   Fonte: Arquivo Valter M. da Fonseca (2012)

Por NTV
Por intermédio de minicurso realizado no semestre passado, o Prof. Valter Machado da Fonseca, mestre e doutorando pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU) e docente da Universidade de Uberaba, inicia projeto de pesquisas e estudos permanentes no "Centro de Pesquisas Paleontológicas Llewellyn Ivor Price", localizado no bairro rural de Peirópolis, município de Uberaba (MG).
Para o professor Valter, a estruturação de um grupo de pesquisas permanentes na comunidade rural de Peirópolis é de extrema importância dada à magnífica relevância do acervo fossilífero de Peirópolis. O sítio paleontológico de Peirópolis atingiu o justo estágio de reconhecimento que já ultrapassou o âmbito nacional para atingir o status de merecido reconhecimento internacional. Dele já surgiram inúmeras e relevantes dissertações de mestrado e teses de doutoramento. É considerado como a mais relevante bacia fossilífera do mundo em pesquisa e trabalho em tempo contínuo. Os magníficos achados nas escavações desta bacia fossilífera tem dado uma significativa contribuição às pesquisas e trabalhos desenvolvidos nesta área. Muitos desses trabalhos estão publicados nas mais renomadas revistas científicas da área em níveis nacional e internacional.
Para Fonseca, este projeto é fruto de um antigo desejo, o qual vem de muito tempo atrás. Esta proposta nasce da necessidade de discutir e aproveitar a grande gama de indícios e informações científicas que o sítio paleontológico de Peirópolis tem a oferecer a estudantes, pesquisadores, professores, bem como a todos os demais interessados na Geologia, Paleontologia, Paleoclimatologia e Paleogeografia e por esta relevante temática proposta para estudo. Ele afirma ainda que, todo esse trabalho não existiria sem o esforço de algumas pessoas que merecem destaque e todo o reconhecimento da comunidade uberabense. Ele credita todo esse esforço ao eminente paleontólogo pesquisador, Dr. Llewellyn Ivor Price e ao Geólogo e professor Luís Carlos Borges Ribeiro e sua equipe, que assumiram para si a nobre tarefa de dar continuidade ao árduo e importante trabalho do Dr. Price. É por tudo isso que o "Centro de Pesquisas Paleontológicas Llewellyn Ivor Price" nunca parou suas pesquisas e hoje assume o justo status de mais significativo centro de pesquisas em tempo contínuo do mundo.
O professor Valter Fonseca informa ainda que o minicurso, o qual teve sua primeira experiência no semestre passado, será repetido neste semestre, agora em parceria com a Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM), no formato de curso de extensão, no próximo mês de junho. Além do minicurso, serão implementados grupos de iniciação científica no local, envolvendo alunos do curso de Engenharia Ambiental da Uniube.
O Professor declara que a próxima etapa do projeto é criar uma equipe que seja capaz de sintetizar toda a gama de trabalhos científicos produzidos a partir do Sítio Paleontológico de Peirópolis. Isto se deve ao fato de que no contexto da evolução do “Centro de Pesquisas Paleontológicas Llewellyn Ivor Price”, podemos verificar o trabalho intenso de diversas e renomadas universidades junto ao centro de estudos. Assim, podemos citar a universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), Universidade Federal de Uberlândia (UFU), Universidade de São Paulo (USP), a Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) e, finalmente a Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM) que hoje assume a função de gestora deste importante centro de pesquisas.  
Por fim, o Prof. Valter Machado agradece à Universidade de Uberaba pelo amplo e irrestrito apoio dado ao projeto, por intermédio do curso de Engenharia Ambiental, na pessoa do seu diretor Prof. Dr. André Fernandes Teixeira, que não mede esforços no intuito da viabilização prática e plena de implantação do grupo de pesquisas permanentes em Peirópolis. O Prof. Valter acredita que a efetivação deste projeto, significará, sem dúvida alguma, um importante passo na consolidação da pesquisa científica em Uberaba e na mesorregião do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba.

terça-feira, 27 de março de 2012

Reflexões sobre a “Questão Judaica”

Livro "Sobre a Questão Judaica" Fonte: livraria-popular.blogspot.com

Valter Machado da Fonseca

Este texto de Marx representa, até certo ponto, o início da construção de um divisor de águas entre o “Idealismo” hegeliano e a construção de uma proposta que visasse dar o norte político para o enfrentamento de uma sociedade gestada ainda no ventre do Feudalismo e que vinha à luz com toda a força: a sociedade capitalista. Neste sentido, Marx se encontrava na encruzilhada para a superação das concepções filosóficas de Hegel, que apontava que tudo se explica no campo das ideias. A partir desta concepção, Hegel acabou por consagrar a universalidade e eternidade do domínio do capital, pois, suas estruturas produtivas e reprodutivas foram construídas por intermédio do racionalismo, que se sustenta, exatamente, nos pilares do idealismo.
Diferentemente de ser considerado um “Deus”, é preciso interpretar a obra marxiana com a alta dose de seriedade que ela merece. A atual crise estrutural do capital que varre a Europa e ataca frontalmente o coração do sistema reprodutivo do capital, os EUA, demonstra que a formulação de Marx conserva toda sua atualidade. É interessante verificar que Marx nunca foi tão lido como nos tempos presentes, em especial na Alemanha. Toco nestas questões, justamente para destacar que diversas correntes, dentre elas o “pós-modernismo” se cala diante da atual crise do sistema produtivo capitalista. Estão estupefatos, não têm o que dizer! Chegaram mesmo à paralisia da vontade!
Retornando à “Questão Judaica”, a década de 1800 significou um marco histórico que precisa ser interpretado com a devida seriedade. De um lado, as concepções de Hegel iriam dar as completas condições para a universalização do capital e, por outro lado, existia a possibilidade de construção de outra via, por intermédio da superação das concepções filosóficas de Hegel. E foi, exatamente, por esta última via que Marx procurou embasar seus fundamentos. Mas, a superação das concepções hegelianas exigia tirar do caminho todos os obstáculos teóricos e práticos que viessem a inviabilizá-la. Isto significa dizer que era necessária também a superação dos princípios criacionistas que se embasavam na “verdade revelada”, traços fortes da “Escolástica”, conservados ao longo dos tempos, e que tomavam o caráter de universalidade e perpetualidade. Em outras palavras, isto significa dizer que era fundamentalmente essencial a superação dos traços marcantes do novo modelo de organização social que estava em gestação, ou seja, fazia-se urgente buscar a superação dos pilares que embasavam a construção do Estado, ou seja, a religião e a propriedade privada. É exatamente por isso que este texto tem sua importância para a compreensão do pensamento e das ideias de Marx. Apesar de não ser um texto fechado, acabado, ele traz reflexões fundamentais no sentido de superação dos princípios liberais que embasam a construção do Estado capitalista.
A formulação do próprio Marx de que “toda nova organização social traz em suas entranhas, elementos das velhas, das que a antecederam” é extremamente relevante para que entendamos “A Questão Judaica”. Aqueles anos [1840 – 1848] marcaram um período histórico de disputas efervescentes de diferentes concepções filosóficas, de projetos de mundo, de homem e de natureza. Mas, para que Marx conseguisse seu intento, a superação das concepções hegelianas, muitas vezes ele necessitava apoiar-se, contraditoriamente, em elementos e aspectos contidos na própria filosofia de Hegel. Diante disso, os diálogos com Bruno Bauer e, posteriormente com Feurbach, foram fundamentais para que Marx edificasse seu sistema de ideias e princípios, os quais iriam ficar mais evidentes no “Manifesto do Partido Comunista” escrito a quatro mãos com Engels em 1848.
As bases filosóficas contidas na “Questão Judaica”
O diálogo com Bruno Bauer, base principal desse texto, coloca para Marx o problema central de seu estudo rumo à superação do “Idealismo” de Hegel. Este problema é colocado de forma evidente e clara, já no início do texto: o problema da emancipação humana. Esta questão central é colocada desta forma no início da obra: “Os judeus alemães almejam a emancipação. Que emancipação almejam? A emancipação cidadã, a emancipação política.” (MARX, 2010, p.33). Aí está colocado o problema central: a necessidade de elucidar e problematizar os termos “emancipação”, o conceito de “cidadania” e as bases “políticas” para esta emancipação.
Mas, como discutir estas concepções sem analisar os princípios que regem a política? Como discutir estas concepções sem estudar os fundamentos sob os quais se construiu o conceito de cidadania. Por isso, Marx necessitava ainda discutir os pilares que sustentam a religião, o Estado e a propriedade privada. A partir dessa necessidade premente, Marx problematiza, levanta contradições, dualidades a partir da construção das concepções de Bauer acerca do judaísmo, polarizando com o cristianismo, justamente por este já ter assumido seu caráter mais universal e já estar presente nas bases da construção do Estado. Na verdade, o “Idealismo” de Hegel, apesar de se constituir numa importante âncora para a superação dos dogmas da Igreja [vide os princípios do racionalismo], não conseguiu superar o problema da crença individual que tinha seus pilares fincados nas concepções religiosas. Ele acaba justificando esta particularidade do homem enquanto indivíduo pelo seu próprio sistema de que tudo se constrói no campo das ideias.
Observem que Marx não exclui a religião do seu campo de formulação prática. Na verdade, ele trabalha suas concepções dentro de dois campos distintos: o campo da realidade, na qual está presente o estado e sua ideologia e o campo da perspectiva da construção de outro modelo de organização [ou desorganização] social que seria a edificação de um paradigma sem a presença do Estado e suas nuances, perspectiva que iria marcar todos os seus textos subsequentes. Isto fica evidenciado em:
A emancipação política de fato representa um grande progresso; não chega a ser a forma da emancipação humana em geral, mas constitui a forma definitiva da emancipação humana dentro da ordem mundial vigente até aqui. Que fique caro: estamos falando aqui de emancipação real, de emancipação prática. O homem se emancipa politicamente da religião, banindo-a do direito público para o direito privado. Ela não é mais o espírito do Estado, no qual o homem – ainda que de modo limitado, sob formas bem particulares e dentro de uma esfera específica – se comporta como ente genérico em comunidade com outros homens; ela passou da sociedade burguesa, a esfera do egoísmo, do bellum omnium contra omnes [da guerra de todos contra todos]. Ela não é mais a essência da comunidade, mas a essência da diferença. Ela se tornou expressão da separação entre o homem e sua comunidade, entre si mesmo e os demais homens – como era originalmente. Ela já não passa de uma profissão abstrata da perversidade particular, do capricho privado, da arbitrariedade. A interminável fragmentação da religião, p. ex., na América do Norte, confere-lhe já exteriormente a forma de uma questão puramente individual. Ela foi desbancada por meio dos interesses privados e degredada da comunidade como comunidade. Todavia, não tenhamos ilusões quanto ao limite da emancipação política. A cisão do homem em público e privado, o deslocamento da religião do Estado para a sociedade burguesa, não constitui um estágio, e sim a realização plena da emancipação política, a qual, portanto, não anula a religiosidade real do homem. [MARX, 2010, p.41-42, passim] [Grifos do original].

No fragmento textual de Marx [2010] podemos verificar que ele estabelece os limites do Estado, enquanto estrutura social isenta da religião, ele evidencia a transferência da religião do Estado para toda a sociedade burguesa. Isto significa dizer que, mesmo o Estado se proclamando laico, ele se conserva enquanto precursor de tais prerrogativas, pois, o homem enquanto indivíduo, ainda conserva a essência da crença religiosa. Na verdade, neste fragmento textual, Marx estabelece os limites da emancipação política demonstrando, concomitantemente a complexidade para a superação dos entraves oriundos das concepções religiosas para a efetivação plena da emancipação política do homem, o que não pode se dar na presença do Estado e nem da sociedade burguesa, fundada sob os princípios liberais.
Na verdade, durante todo o transcorrer do texto, as formulações de Bauer são de uma profunda riqueza para que Marx vá ao sentido de construir as bases teórico/práticas para a superação das concepções idealistas de Hegel. Estabelecendo e realçando as contradições oriundas das formulações de Bauer, ele consegue fazer a ponte necessária para construir sua crítica ao Estado burguês enquanto instrumento de dominação ideológica, a serviço dos princípios liberais e, ao mesmo tempo, aponta para a necessidade vital de superação do Estado enquanto instrumento de dominação burguesa, das concepções de cidadania derivadas deste Estado e, finalmente, ele avança apontando para a necessidade de superação dos princípios sob os quais se edifica a propriedade privada, base material e ideológica imprescindível para a edificação e manutenção da sociedade capitalista. É lógico que este texto aponta para a necessidade de discussão de outros elementos como, por exemplo, “estranhamento” e “alienação”. Porém convém deixar estas discussões para os textos onde estas abordagens possuam maior fluidez.
Compreender Marx por Marx  
A leitura da “Questão Judaica” traz diferentes abordagens e reflexões. Cada texto, cada produção literária é fruto de seu tempo, é fruto de um contexto histórico, político, econômico e social. Assim, a leitura das obras marxianas demanda a compreensão do materialismo dialético.  Isto significa dizer que ninguém é melhor para explicar Marx que o próprio Marx. É lógico que toda obra possui sua incompletude espaço-temporal, o que vai demandar novas leituras e novas interpretações. Interpretar Marx sob a luz do materialismo histórico-dialético demanda, sobretudo, reconstruir a visão de totalidade, de reconstituição dos diversos contextos históricos. Fugir disso, procurar as linhas de menor resistência, “não chamar as coisas pelo seu nome” é, no mínimo escamotear as discussões e os debates, é distorcer perversamente a obra. Portanto, longe de ser um “Deus”, Marx deve ser estudado, analisado, e discutido dentro da visão de totalidade histórica e de totalidade da obra, sob pena de se cometer uma falsificação banal e distorcer os fatos históricos. Vou parando por aqui! Espero que estas contribuições venham contribuir, de fato, para o enriquecimento de nosso debate e nosso crescimento coletivo e individual.
Até o próximo texto!
Valter. [Uberaba, 27 de março de 2012].