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quinta-feira, 25 de julho de 2013

Ambientes naturais e modificados (antropizados)

Prof. Dr. Valter Machado da Fonseca*
Para que consigamos compreender o significado e a importância desses dois conceitos, é preciso o entendimento do mecanismo de construção e desconstrução do relevo terrestre e de suas estruturas geológicas.
Começando pelo princípio!
O planeta Terra nem sempre possuiu a configuração atual, seja na distribuição dos continentes, seja nas suas formas de relevo. No início, o planeta possuía intensas atividades tanto da atmosfera em formação, quanto das forças oriundas do núcleo do planeta. Assim, a Terra passou por um processo contínuo de vulcanismo, tectonismo e terremotos, o que foi fundamental para a formação da atmosfera e da evolução de suas primeiras formas de vida.
Com o resfriamento lento e gradual, o planeta foi redesenhando suas estruturas e selecionando os gases que iriam dar a ele a configuração atual de sua dinâmica atmosférica. Devido ao tectonismo, os continentes também foram se desmembrando, atingindo sua atual conformação. Então podemos afirmar que o planeta Terra passou por um lento e gradual processo de evolução de suas estruturas e elementos, seja em nível de superfície, seja em nível de relevo e de configuração e disposição de seus continentes.
Importante!!!
Para atingir seu estágio atual de evolução, o nosso planeta passou por um processo lento e gradual de seus elementos e estruturas, de maneira a permitir a construção das condições ideais para a existência de todas as formas de vida que hoje o habitam. Nesse processo de construção e desconstrução, a Terra levou milhões de anos, em tempo geológico. Assim, para que nosso planeta, por intermédio de sua dinâmica, chegasse a um sistema em equilíbrio, ela levou milhões de anos, geologicamente falando.
Nos dias atuais, a Terra ainda não atingiu sua estabilidade estrutural, o que podemos observar pela série de eventos naturais, como atividades vulcânicas e terremotos. Essas atividades indicam que o sistema terrestre busca, por intermédio desses eventos naturais, realizar um rearranjo e uma acomodação de suas formas e estruturas. Recentemente, tivemos uma mostra da magnitude desses eventos naturais: os terremotos do Haiti e do Chile.
Então, para se compreender os ambientes ditos naturais faz-se necessário o entendimento do processo de formação das feições geológicas e topográficas, aliadas aos aspectos climáticos, vegetações, tipos de solos, relevo, temperatura, enfim, do conjunto de aspectos e fatores que compõem as paisagens naturais da Terra. Para se analisar essas paisagens é preciso considerar a biosfera, ou seja, o conjunto de seres vivos que compõem esses ambientes, dentre eles a própria espécie humana. Para que o ambiente seja considerado natural, ele não pode ter passado por profundas transformações decorrentes das ações antrópicas ou antropogênicas incidentes sobre ele.
Importante!!!
Um determinado ambiente é dito “natural” quando ele ainda não passou por profundas transformações artificiais decorrentes da ação humana. Isso faz com que cheguemos à conclusão de que o homem possui, ou seja, as atividades humanas possuem grande capacidade de modificar, transformar os ambientes naturais, deslocando, dessa forma, o equilíbrio das forças que mantém o equilíbrio nesses locais. Assim, concluímos que a força antrópica é muito potente, no que diz respeito à transformação dos aspectos naturais dos ambientes terrestres. Da ação desordenada dessas forças sobre os aspectos naturais do ambiente é que surgem os fenômenos que chamamos de “degradação ambiental”.
Nos dias de hoje, é muito difícil apontarmos um ambiente que seja, de fato, natural, que conserve ainda suas características originais, uma vez que o homem já conseguiu expandir suas atividades pelos locais mais distantes, escondidos e longínquos do planeta.


* Escritor. Geógrafo, Mestre e Doutor pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU). Pesquisador e professor da Universidade de Uberaba (UNIUBE). pesquisa.fonseca@gmail.com

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